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Isso é tão… Paris!

O intercâmbio e primeiras impressões sobre a “cidade das luzes” — ou seria a “cidade do amor”?


Estava sem nuvens no céu quando desembarquei em Orly, o aeroporto secundário de Paris, capital da França. Enquanto esperava minha carona, observava a quantidade de turistas que se amontoam em filas nas saídas das aeronaves, na imigração, nas salas de retirada de bagagem, no acesso ao Uber ou no café Paul’s, esperando conhecer melhor a “cidade das luzes”. Há alguns anos, é assim, de braços abertos, que Paris mantém seu posto no Top 5 de cidades mais visitadas por turistas no mundo.

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Foto: Luciano Nogueira

Poucos dias foram necessários para que eu começasse a ter contato com uma cultura completamente diferente da nossa. Nada é igual ao Brasil. É preciso aprender muito para sobreviver, e no topo desta lista certamente tem que estar a língua francesa. “Merci”, “pardon” e “bonjour” são palavras que viram mantras e o aplicativo tradutor no celular será uma extensão do seu braço. Nessa guerra interna entre sobreviver e aproveitar o melhor da cidade, é possível ver os figos amadurecendo, as amoras caindo e pintando o chão, e as flores colorindo a cidade.

“Mas, Luciano, essa coluna não é sobre moda?”

A resposta é clara, “sim”. Mas nem só de tendências vive este meio.

Outro dia, no trem, conversava com uma jovem que me contava sobre a mochila que tinha comprado, da marca americana Guess, e como ela tinha sido infeliz ao investir seu dinheiro na peça. Assustado, perguntei o motivo e ela não titubeou. Ela falou que, ao chegar na escola — faz curso de moda com especialização em couros —, sofreu bullying intenso dos colegas por estar usando a bolsa. Por não ter ‘nenhuma ligação’ clara com a marca, para seus colegas, como era possível ela ter gasto tanto dinheiro em uma peça que não fazia sentido para sua história ou estilo? E concordar com eles fez com que a moça nunca mais usasse a mochila.

Aqui, eu também conheci o outro lado da moeda. Os franceses conhecem Paris por ser a “cidade do amor”. Talvez isso faça mais sentido, afinal, a cidade não é tão iluminada quando a comparamos com Tóquio, Londres ou Nova Iorque. Existe um respeito e até certa devoção a tudo que é feito ou produzido em terras francesas, e até mesmo a língua é exigida se você quer se aventurar por um dos milhares restaurantes que servem comidas nível “Cordon Bleu”. Isso ainda me faz pensar em como as casas de moda se firmaram na França e se tornaram grandes mundialmente. Certamente elas foram impulsionadas pelo amor francês. O mercado veio depois, com as metas e os desejos por lucros cada vez maiores.

Constantin Brâncusi tentou imprimir esse amor em sua arte, atualmente exposta no Le Centre Pompidou, museu no coração de Paris. Na foto você vê uma das variações de Le Baiser (“o beijo” em tradução livre), uma escultura modernista e que marcou o século XX pela representação não literal, completamente avessa à época. Será que estou convencido de que esta é de fato a cidade do amor? Essa ambiguidade é tão… Paris!

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Foto: Luciano Nogueira

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