
Quando vejo um homem ou um menino no sinal oferecendo broas e cascalhos, sinto uma ponta de saudade quase infantil. Raramente deixo de comprar. Geralmente chamo o vendedor — que agora aceita até pix para quem não tem dinheiro — e compro um saco de cada. Degusto ali mesmo, no carro. Uma névoa branca de farelos se espalha pelos bancos e penso: depois eu limpo. Arrisco dizer que somos talvez os únicos, no Brasil, que ainda temos esse privilégio: encontrar, nos cruzamentos da cidade, um pedacinho dos bons tempos da cidade.
Pois é… antigamente as broas eram vendidas em bacias de alumínio e os cascalhos naqueles tonéis de flande (fui fundo). O anúncio vinha no barulhinho estridente do triângulo, que ainda escuto na memória. Uma vez, num desses arroubos de criancice, um ‘carona’ perguntou: — Por acaso você sabe como isso é feito? Se é higiênico? Se está de acordo com os padrões sanitários? Respondi: — Darling, quero lá saber disso! Já vi gente morrer com bala perdida, em assalto, de doença ou de morte morrida. Mas morrer porque comeu cascalho ou broa? Necas de pitibiriba. Nunca vi. E continuei saboreando minhas lembranças. Feliz domingo.

















