Manaus, 23 de outubro de 2021
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Manaus, 23 de outubro de 2021

#SaveRalph e o uso de cremes dentais

“Está tudo bem. Nós fazemos pelos humanos, certo? Eles são muito superiores a nós, animais”, diz o coelho Ralhp, no curta-metragem ‘Save Ralph’ sobre o uso de animais em testes de laboratório

Um coelho, um tema tocante e a voz do Rodrigo Santoro. Com esses elementos, o curta-metragem ‘Save Ralph’ (‘Salve o Ralph’) ganhou as redes sociais, nas últimas semanas, com uma narrativa super necessária: o uso de animais para testes cosméticos. A animação, dirigida por Spencer Susser, foi criada em parceria com o Arch Model Studio como parte de uma campanha da Humane Society of the United States, pelo fim dos testes animais em todo o planeta.

Coelho Ralph durante a sua rotina diária, preparando-se para mais um dia de testes. (Foto: Divulgação)

O curta nos faz refletir sobre o uso de produtos e marcas que mantém testes em animais, e sobre a possibilidade da substituição desses produtos. O dentista aqui não vai se aprofundar em todos os produtos da indústria, mas vai comentar um pouquinho sobre o que compete a ele: os produtos bucais.

A procura por produtos/empresas cruelty free (‘livres de crueldade’ e que não testam em animais) é um pouco complexa, pois em vários casos uma marca específica pode ser cruelty free, mas a empresa que ela faz parte, não. Dessa forma, há um fomento, mesmo que indireto, ao teste em animais por um grupo empresarial.

Existem, aqui no Brasil, alguns produtos de higiene bucal de empresas livres de crueldade, bem como produtos veganos (além de não ser testado em animais, ele não tem nenhuma matéria-prima de origem animal). Entretanto, é importante a atenção e o cuidado na escolha desses produtos, como escovas e cremes dentais, pois alguns deles podem não ser indicados para o seu perfil de saúde bucal.

Cremes dentais veganos versus os que testam em animais. Foto: (Instagram/@ariveganbeauty)

Esse cuidado é requerido pelo fato de, em alguns casos, os usuários serem ‘dependentes’ de alguns componentes presentes nos cremes dentais. Pacientes com sensibilidade, por exemplo, têm a indicação de uso de produtos com agentes dessensibillizantes, que ajudam o tratamento da condição. Nesse caso, marcas cruelty free não comercializam esse tipo de creme dental, o que deixa disponível no mercado apenas produtos que realizam a testagem.

Outro ponto a ser avaliado, é a presença de fluoreto (flúor) nos cremes dentais. A grande maioria (mas não todas) das marcas que não testam em animais usam formulações sem fluoretos. A ausência desse componente pode aumentar o risco de um indivíduo desenvolver a doença cárie e, para alguns perfis de paciente, o uso de produtos fluoretados é quase que indispensável.

Numa pegada mais sustentável, escovas de dentes de materiais não sintéticos (com cabos de madeira/bambu e cerdas naturais, às vezes infundidas com carvão) também são uma alternativa, por exemplo. Diferente das escovas de plástico, que demoram cerca de 300 anos para se decompor, as escovas de madeira/bambu têm um tempo médio de 30 anos de decomposição. Uma grande diferença, né?

Mas atenção nas pegadinhas! A Colgate, por exemplo, é uma empresa que comercializa escovas sustentáveis e mesmo assim, não é uma marca cruelty free. No caso, ela usa de um marketing greenwashing (prática de promover discursos, anúncios, propagandas e campanhas publicitárias com características ecologicamente/ambientalmente responsáveis, sustentáveis, verde, “eco-friendly”), mas bem no fundo, não é tão ambientalmente responsável assim. A Organização Não Governamental (ONG) People for the Ethical Treatment of Animals (Peta) apresenta uma boa ferramenta de verificação dessas empresas quanto o uso de animais para testagem.

(Foto: PETA (People for Ethical Treatment for Aniamls))

No website da ONG, é possível verificar a classificação das empresas quanto a prática de testes. Foi lá, por exemplo, que verifiquei que a GSK (Sensodyne) e a P&G (Oral B) testam em animais. Se você quiser mudar os seus hábitos quanto o uso dos seus produtos, eles ajudam bastante nessa questão de pesquisa/investigação. Destaco aqui que umas das principais questões ativistas dessa pauta gira em torno da possibilidade de utilização de soluções alternativas já existentes aos testes em animais.

No fim das contas, a mudança de um padrão de consumo hegemônico é bem trabalhosa e envolve muitos aspectos, inclusive lobbys comerciais, que dificultam esse processo. Por isso, a discussão, mudança no paradigma de consumos e pressão social são aspectos importantes. Cada indivíduo tem o seu tempo e motivação para começar essa mudança e, caso essa motivação tenha alcançado você (assim como me alcançou por meio do curta), espero que esse texto tenha ajudado de alguma forma. É isso. Até!

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1 Comentários

  1. Ricardo Responder

    Dentista e Professor Diego, sempre espetacular e passando informações interessantes para nós.?????

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