O medo, por definição, é o estado afetivo suscitado pela consciência do perigo ou que, ao contrário, suscita essa consciência. Além disso, também poderia fazer parte do conceito, o temor, ansiedade irracional ou fundamentada, o receio. Ou, no meu dia a dia, o medo pode ser simplesmente personificado por mim, que sou dentista, ou pelos instrumentos que uso.

(Foto: Reprodução)

Em 2014, A British Dental Health Foundation perguntou a mais de 2 mil pessoas sobre suas primeiras memórias de infância do dentista. As respostas mais recorrentes, incluem ‘dor’, ‘o cheiro’ ou algo ‘doloroso, desconfortável e assustador’. Para se ter noção, estima-se, que de 9% a 15% da população dos Estados Unidos evita ir ao dentista devido a ansiedade e medo. Trata-se de 30 a 40 milhões de pessoas.

De fato, quando os pais levam seus pequenos ao consultório, mesmo este colunista vestindo o melhor sorriso, a expressão deles emana (diversas vezes, mas nem sempre) o medo.

Por culpa do nosso cérebro, que basicamente triplicou desde o início do nosso processo evolutivo, sentimos cerca de dez vezes mais medo do que os nossos pais. A explicação disso vem da ação da amígdala, parte do chamado cérebro profundo, no qual primam as emoções básicas.

A evolução moldou o cérebro para ter medo de cobras, por exemplo, pois nossos ancestrais sentiam-se ameaçados. Logo, macacos criados em laboratório, que nunca viram uma cobra, se assustam se forem colocados diante de uma, mas em compensação, se eles tiverem a amígdala retirada, deixam de sentir todos os tipos de medo.

Se culturalmente a imagem do dentista (que também me assusta) não for transformada, o medo persistirá, até porque não vamos indicar neurocirurgias para tratar o medo, certo? Por isso, cabe aos colegas dentistas, a prática da paciência, escuta e empatia com seus pacientes. Isso tudo para que você, paciente, possa ter uma experiência transformadora e sem medo. Fechamos assim?

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