Comprei um azeite de mostarda durante uma viagem. Trouxe para casa com o orgulho de quem descobre um ingrediente raro, desses que a gente imagina usar numa receita especial, enquanto conta aos amigos: “Comprei no exterior.” O frasco é bonito. A cor, dourada. O nome, elegante. Tudo conspirava a favor da minha fantasia gastronômica. Mas havia um detalhe. Como toda boa compra impulsiva de viagem, eu não fazia a menor ideia do que estava escrito no rótulo.

Agora, movida por uma prudência tardia, resolvi investigar. Descobri que o sofisticado azeite importado não era exatamente um azeite. Nem exatamente para comer. Era óleo de mostarda para uso externo. Durante alguns segundos, fiquei olhando para o vidro e para a minha leseira baré. Viajei quilômetros, atravessei aeroportos, passei por filas e alfândegas para trazer um produto destinado, ao que tudo indica, aos cabelos. Confesso que me senti enganada. Não pelo fabricante. Pelo meu excesso de confiança.
Mas, pensando bem, talvez a vida seja assim. Quantas vezes compramos ideias pela embalagem? Quantas vezes acreditamos sem saber exatamente o que estamos levando para o coração? E quantas descobertas acontecem justamente quando paramos para ler as letras miúdas? O lado bom é que o óleo continua ali, bonito na prateleira. E eu continuo aqui, rindo da história. As decepções também servem para contar. E, convenhamos, um azeite que não era azeite rende muito mais assunto do que uma simples salada.


















Ídala, fazer desta compra (do limão) uma limonada? hidrate seus cabelos maravilhosos e fique mais linda ainda, vc vai ver que valeu a pena atravessar aeroportos com ele na bagagem??