O filme já incomoda pelo nome. Para quem viveu a morte de Michael Jackson, com luto e tristeza, é impossível ficar indiferente. Mas, ao assisti-lo, outra questão me chamou atenção. O que aquela trajetória ensina? Determinação, persistência, busca pela perfeição? Sim, tudo isso. Mas talvez a maior lição seja a obstinação em perseguir algo que realmente se deseja da vida.
Mas há outra questão que o filme provoca. Sem a disciplina rígida imposta pelo pai, Michael Jackson teria chegado onde chegou? E os irmãos? Teriam seguido caminhos comuns, trabalhando em oficinas, escritórios ou qualquer outra profissão distante dos palcos? É impossível saber.

FOTO: PORTALMZM
O talento estava ali. Mas talento, sozinho, raramente escreve a história. Entre o dom e o sucesso existe um território ocupado por ensaios intermináveis, repetições, renúncias e uma disciplina que poucos suportariam. Porém, há uma ironia nisso tudo. Muitas vezes, aqueles que ajudam a construir um fenômeno acabam descobrindo que não podem controlá-lo para sempre. Em algum momento, o talento ganha o mundo e passa a pertencer à sua própria história.
Assistindo à história de Michael, lembrei de outra dupla que marcou gerações: Xuxa e Marlene Mattos. A pergunta é desconfortável, mas inevitável. Teria existido a Xuxa que conhecemos, sem a disciplina quase militar imposta por Marlene? Teria alcançado o mesmo império de audiência, contratos e milhões se a vida da jovem apresentadora tivesse seguido sem cobranças, metas e vigilância permanente?
A mesma reflexão surge em relação a Michael Jackson. O talento estava ali, sem dúvida. Mas o talento, sozinho, basta? A sociedade costuma admirar o resultado e condenar os métodos. Muitas vezes, faz as duas coisas ao mesmo tempo. Aplaude o sucesso extraordinário, mas se assusta ao descobrir o preço que foi pago para alcançá-lo. Isso não significa justificar excessos. Significa reconhecer que, por trás de muitas trajetórias excepcionais, houve alguém exigindo mais do que parecia possível. Gostamos de celebrar os vencedores. O que raramente fazemos é discutir o preço da vitória. Entre aplausos e julgamentos, permanece a dúvida: se tudo tivesse sido mais fácil, eles teriam chegado tão longe?
A resposta, deixo com o leitor.

















