
Foto: Claudio Cardozo/Reprodução
A indústria têxtil brasileira entrou em 2026 pressionada pelo avanço contínuo de produtos importados. Dados consolidados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) mostram que as importações cresceram cerca de 25% ao longo de 2025, impulsionadas por itens de menor preço e produção em larga escala.
Esse cenário tem afetado diretamente a competitividade dos fabricantes nacionais, que lidam com custos elevados, volatilidade cambial e menor capacidade produtiva. Para empresas com trajetória consolidada, os impactos são imediatos. É o caso de Cláudio Costa Cardozo, fundador da Declaus Confecções, que afirma: “O produto importado, principalmente o chinês, mudou a dinâmica do mercado”.
Estudos recentes da Abit indicam que o custo de produção de uma peça básica no Brasil permanece até 30% mais alto do que em polos industriais, como os da China e do Vietnã. Ao mesmo tempo, o varejo global passou a operar com ciclos mais curtos e reposições rápidas, favorecendo países com elevada escala produtiva.

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Para 2026, a Abit projeta crescimento entre 2% e 3% na produção nacional, condicionado ao desempenho do consumo interno, ao comportamento do câmbio e a possíveis ajustes em políticas de defesa comercial. Já Cláudio Cardozo relaciona o desempenho do setor aos fatores de estratégia e posicionamento. “Investimos em eficiência, qualidade e relacionamento com clientes. No setor têxtil, não é possível competir apenas por preço; é preciso entregar valor agregado”, observa.
Diante desse cenário, o futuro da produção têxtil brasileira não depende apenas de projeções otimistas, mas da capacidade do setor de fazer escolhas estruturais assertivas. Inovar, investir em tecnologia, fortalecer cadeias locais e assumir um posicionamento claro diante da concorrência internacional deixam de ser diferenciais e passam a ser condições de sobrevivência.


















