Uma mulher grávida contrata uma babá, mas os hábitos noturnos da futura mãe começam a tornar o emprego um tanto arriscado. Em “As Boas Maneiras”, de Juliana Rojas e Marco Dutra, Clara (Isabél Zuaa) chega ao apartamento de Ana (Marjorie Estiano) para cuidar do bebê que está por vir e acaba envolvida numa relação que mistura drama social, desejo e um segredo terrível.
São Paulo é retratada num cenário de conto de fadas sombrio, com uma lua cheia que anuncia problemas. Cores fortes, sombras e enquadramentos fazem o cotidiano ganhar uma aparência de fábula, enquanto as passagens musicais reforçam essa atmosfera. Zuaa sustenta o filme com uma atuação contida, em contraste com a fragilidade de Estiano. A relação entre patroa branca e empregada negra também mantém as diferenças de classe e raça presentes, inclusive quando o afeto as aproxima.
A divisão em duas partes altera o ritmo do filme e a mudança permite que o terror avance para uma questão incômoda: até onde vai a disposição de cuidar de alguém que pode ser um perigo? O lobisomem ganha força como criatura e como expressão de desejos que as tais “boas maneiras” tentam domesticar. Para a programação de Halloween, fica a indicação de um filme que sabe fazer o sangue correr sem perder de vista a ternura.

Imagem: Prime Video
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@tudosobreroteiro


















