Beijar bebê, posar com a família e dizer qualquer coisa para ganhar voto: em “Os Candidatos” (2012), a melhor campanha é aquela que arranca mais gargalhadas. Dirigida por Jay Roach, a comédia coloca o deputado Cam Brady (Will Ferrell) diante de Marty Huggins (Zach Galifianakis), um sujeito sem experiência política escolhido por dois empresários para defender seus interesses no Congresso americano. A disputa logo vira uma competição para descobrir quem consegue descer mais baixo.
Ferrell faz da autoconfiança de Brady uma usina de constrangimento, enquanto Galifianakis encontra graça no jeito desajeitado de quem precisa aprender a parecer um candidato respeitável. O encontro dos dois rende boas situações, e alguns dos melhores momentos se passam com a equipe: assessores fabricam personalidades, famílias viram peças publicitárias e os financiadores tratam a eleição como investimento.
Neste domingo de votação no Brasil, o paralelo aparece na transformação do debate público em espetáculo: importa a frase que circula, o vexame do adversário, a imagem cuidadosamente montada. Sem procurar equivalentes brasileiros para cada personagem, dá para reconhecer a lógica de uma campanha em que discutir propostas podem atrapalhar a “performance”.

Foto: Netflix
—
haroldomourao.substack.com
@tudosobreroteiro


















