Poucas pessoas são tão reconhecidas por combinar estilo e informação no jornalismo quanto Zuenir Ventura (1931–2026). Em “Mestre Zu”, Zelito Viana recebe em casa familiares e colegas para revisitar a trajetória do escritor. As conversas, intercaladas com imagens de arquivo e entrevistas, aproximam o personagem pelas histórias de redação e pelo afeto de quem trabalhou com ele. A intimidade é o ponto de partida dessa biografia.

Foto: Mapa Filmes do Brasil
Zuenir passou por importantes veículos da imprensa brasileira, como Correio da Manhã, Tribuna da Imprensa, Senhor e Veja, enfrentando os dilemas da profissão: o que publicar e até onde vai a responsabilidade de um repórter. Um episódio revelador é o acolhimento, em sua casa, de Genésio, garoto ameaçado após o assassinato de Chico Mendes. A história dá uma dimensão concreta ao compromisso humano por trás da atividade jornalística e aos limites entre observar e participar. Autor de livros como “1968: O Ano Que Não Terminou”, “Cidade Partida” e “Minhas Histórias dos Outros”, deixou também uma obra de referência para se compreender o Brasil.
“Mestre Zu” é um documentário afetivo, e sua estrutura de conversa combina com um personagem cuja importância passa pela troca e pela formação de gerações de jornalistas. Os depoimentos de nomes como Nelson Motta, Míriam Leitão, Gerson Camarotti e Arthur Dapieve ajudam a dimensionar essa influência. Embora a homenagem deixe pouco espaço para questionamentos, o filme lembra o valor de um jornalismo que apura, pondera e assume suas dúvidas, algo que anda fazendo falta numa época em que tantos veículos de imprensa preferem apenas “lacrar”.
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