É possível dizer que futebol, carnaval, novela e, mais recentemente, o cinema formam um conjunto de produtos nacionais reconhecidos mundialmente. Dentro dessa lista, há um consenso quando se fala em engajamento: as novelas brasileiras.

Foto: TV Globo
Desde a época em que a audiência era medida pelo número de televisores ligados, a novela sempre se afirmou em nosso país como um fato social. Era o pretexto para reunir a família diante da TV ou puxar conversa no bar sobre “Quem matou Odete Roitman?”. Se já não vivemos os tempos de Vale Tudo, Roque Santeiro ou Avenida Brasil, o gênero encontrou novas formas de se reinventar, seja por meio de remakes, seja com o surgimento das chamadas novelas verticais.
Esse novo formato surgiu da convergência entre a linguagem seriada com os hábitos de consumo moldados por plataformas como TikTok e Kwai. Gravadas e exibidas no formato vertical (9:16), elas são pensadas para o celular, com episódios curtíssimos, muitas vezes de um a três minutos com estrutura narrativa baseada em ganchos constantes, em uma lógica de feed infinito.
O fenômeno ganhou força na China antes de se espalhar para outros mercados. Do ponto de vista do roteiro, as novelas verticais são pensadas com um repertório bem definido: melodrama intenso, conflitos claros desde o primeiro segundo e personagens apresentados de forma quase funcional. Sem tempo para sutilezas.
Um exemplo recente é Tudo Por Uma Segunda Chance, estrelada por Jade Picon e uma das apostas da Globoplay para viralizar nas redes sociais. Conta a história de um milionário que se torna alvo de uma paixão obsessiva por parte da amiga de sua noiva.
Se o mote soa familiar, não é por acaso. A maioria dessas produções gira em torno de milionários injustiçados, com doses generosas de vingança, planos infalíveis e reviravoltas dignas de títulos como Cinderela e o Segredo do Pobre Milionário, Roubei o Noivo de Minha Irmã e A Herdeira da Máfia. Resta ao público decidir se o formato é apenas uma moda passageira ou uma ameaça real à dramaturgia clássica.
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