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Quasar Cia de Dança leva ao Teatro Amazonas espetáculo sobre a devastação ambiental

Com oito bailarinos em cena, “Menos da Metade” retrata a beleza e a resistência do Cerrado e propõe uma reflexão que também dialoga com a realidade amazônica; apresentação aberta ao público será no dia 20 de outubro, às 20h


Em um momento em que as queimadas e seus impactos ambientais preocupam a população de Manaus, a dança contemporânea se transforma em um convite à reflexão sobre a relação entre o ser humano e a natureza. É nesse contexto que a Quasar Cia de Dança apresenta o espetáculo “Menos da Metade”, no dia 20 de outubro, às 20h, no Teatro Amazonas, levando ao palco uma narrativa sobre a beleza, a devastação e a resistência do Cerrado.

Foto: Quasar Cia de Dança

Embora tenha como ponto de partida o bioma do Centro-Oeste brasileiro, a obra aborda questões que ultrapassam fronteiras geográficas e encontram eco na Amazônia, onde as queimadas, o desmatamento e as mudanças climáticas também despertam preocupações sobre o futuro ambiental. O Cerrado é o território retratado, mas a reflexão proposta pelo espetáculo também pertence à realidade amazônica.

Criado pelo coreógrafo Henrique Rodovalho, com direção geral de Vera Bicalho, “Menos da Metade” reúne oito bailarinos em cena e acompanha as transformações de um bioma que já perdeu mais da metade de sua vegetação natural. A montagem percorre o ciclo climático do Cerrado e revela, por meio dos movimentos, as marcas da exploração do território e os impactos da ação humana sobre a natureza.

“O espetáculo é uma tentativa de fazer o público sentir o Cerrado no corpo”, destaca Rodovalho.

Manaus é a primeira cidade a receber a circulação nacional da montagem em 2026, com duas apresentações: a primeira, no dia 19 de outubro, fechada para estudantes, e a segunda, no dia 20, aberta ao público, no Teatro Amazonas.

Da beleza natural aos impactos da devastação

A narrativa começa com as águas que fazem florescer o Cerrado e transformam sua vegetação. As noites frescas e sonoras do inverno goiano, traduzidas pela trilha sonora dos músicos Luiz Fernando Clímaco e Henrique Reis, revelam a atmosfera desse período. A coreografia expressa a beleza da paisagem, a contorção das árvores e a leveza dos sons da natureza.

Foto: Quasar Cia de Dança

Na sequência, a seca avança. O verde desaparece e os corpos passam a expressar o calor, a poeira, a aridez e a exaustão. Os bailarinos deixam de representar apenas elementos naturais e passam a revelar também o ser humano diante das condições extremas do ambiente.

O espetáculo ganha contornos mais tensos ao abordar a exploração do território, a expansão do agronegócio, as queimadas e o desmatamento. A destruição da vegetação nativa e do habitat animal contrasta com o luxo das vestimentas associadas ao poder econômico. Aos poucos, os elementos cênicos desaparecem e o palco se transforma em um território esvaziado de recursos.

É nesse percurso que a montagem estabelece uma conexão sensível com questões ambientais que também fazem parte da realidade amazônica. Sem deixar de retratar as particularidades do Cerrado, “Menos da Metade” convida o público de Manaus a refletir sobre os efeitos da devastação ambiental e sobre a necessidade de preservar os biomas brasileiros.

Serviço

Espetáculo: “Menos da Metade”, da Quasar Cia de Dança, de São Paulo

Data: Terça-feira – 20 de outubro de 2026

Horário: 20h

Local: Teatro Amazonas, no Largo de São Sebastião, Centro Histórico de Manaus

Ingressos: R$ 10 – plateia; demais assentos têm entrada livre

Vendas: shopingressos.com ou bilheteria do Teatro Amazonas

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