A cultura amazônica ganhará novos públicos e diálogos por meio do projeto “Conexão Cabocla”, iniciativa que marca a primeira circulação nacional da Companhia Mônica Seffair, de Parintins. O projeto levará a Juazeiro do Norte, no Ceará, o espetáculo de dança “Saga Cabocla”, o curta-metragem “Sonho de uma Cabocla” e uma oficina gratuita de vivência em Boi-Bumbá, promovendo um encontro inédito entre as tradições do Norte e do Nordeste.

Arquivo/Companhia Mônica Seffair
A fundadora e diretora da companhia, Mônica Seffair, destaca que a proposta nasce da trajetória construída pelo grupo nos últimos anos, consolidada por apresentações em comunidades rurais de Parintins e pela passagem recente pelo palco do Teatro Amazonas, em Manaus.
“Agora, a iniciativa amplia seu alcance ao estabelecer uma ponte simbólica entre duas regiões marcadas pela força da ancestralidade, da resistência popular e da identidade cabocla”, afirma.
A circulação prevê apresentações gratuitas do espetáculo e exibições do curta-metragem para o público cearense. Outro destaque é a oficina “Intercâmbio de Saberes entre Boi-Bumbá e Reisado”, voltada para artistas, brincantes e integrantes de grupos tradicionais do Cariri, promovendo a troca de saberes entre o ritmo amazônico e as manifestações locais.
“O ‘Conexão Cabocla’ vem do desejo de fazer a cultura amazônica dialogar com outros cenários brasileiros a partir de suas semelhanças e singularidades. Queremos mostrar que nossas histórias, nossos corpos e nossas tradições carregam narrativas universais de resistência, pertencimento e identidade. Levar Parintins para o Cariri é construir uma ponte afetiva”, destaca a diretora.
Mulheres, memória e resistência em cena
No centro da programação está o espetáculo “Saga Cabocla”, obra que mergulha na força das mulheres amazônicas. Em cena, três gerações femininas transformam memórias, silêncios e experiências ancestrais em movimento, ressignificando o termo “cabocla” como símbolo de potência criadora.

Arquivo/Companhia Mônica Seffair
Complementando a experiência, o curta-metragem “Sonho de uma Cabocla” acompanha a trajetória de Ana, uma jovem que enfrenta desafios pessoais e familiares para realizar o sonho de se tornar dançarina. A obra celebra valores como perseverança, apoio comunitário e a força transformadora da arte.
“Mais do que apresentar espetáculos, queremos compartilhar experiências e construir encontros. Acreditamos que a cultura tem o poder de aproximar realidades, fortalecer identidades e criar novas possibilidades de futuro para artistas e comunidades”, pontua Mônica.
DNA amazônico
Fundada em Parintins, a Companhia Mônica Seffair desenvolve uma pesquisa artística voltada às identidades amazônicas, à ancestralidade dos povos da floresta e ao protagonismo feminino nas artes da cena. O trabalho do grupo combina dança, teatro, audiovisual e manifestações populares para construir narrativas contemporâneas inspiradas nos saberes tradicionais.

Arquivo/Companhia Mônica Seffair
Com todas as atividades oferecidas gratuitamente e recursos de acessibilidade garantidos, o “Conexão Cabocla” reafirma o compromisso do grupo com a democratização do acesso à cultura e com a valorização da produção artística nortista no cenário nacional.


















