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Cultura

Cineclube de Arte exibe filme de Silvino Santos perdido desde 1930 e encontrado em 2023

A projeção da obra histórica será realizada neste sábado (18), às 18h30, no Cineteatro Guarany


O Cineclube de Arte exibe o filme “Amazonas, o maior rio do mundo”, do cineasta Silvino Santos, no sábado (18), às 18h30, com entrada gratuita. A programação é uma realização do Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, em parceria com a Cinemateca Brasileira.

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Foto: Reprodução

A obra havia sido dada como perdida desde a década de 30 do século passado, o que confere uma aura ainda mais especial à sua projeção no Cineclube de Arte. O filme foi encontrado há alguns meses, na segunda metade de 2023, na Cinemateca de Praga, na República Tcheca.

Filmada em 1918, a obra foi rodada no Pará, Amazonas e na região do oriente Peruano e mostra uma viagem fluvial pelo rio Amazonas, focalizando localidades como Belém, campos do Marajó, Santarém, Itacoatiara, Manaus e rio Putumayo.

Após aproximadamente dez anos de exibição em vários países da Europa, o filme foi dado como perdido. A confirmação da identidade da obra, ao ser encontrada em 2023, teve a pesquisa de doutoramento do amazonense Sávio Stoco, na Universidade Federal do Pará, como peça fundamental.

“Em fevereiro deste ano, o curador inglês Jay Weissberg, responsável pelo Festival de Cinema Silencioso de Pordenone (Itália), entrou em contato para eu avaliar alguns filmes sul-americanos que localizaram no acervo da Cinemateca de Praga, onde ele fez uma prospecção para organizar a programação deste ano”, conta Sávio Stoco.

Segundo Stoco, um dos filmes era o mais importante, longa metragem, em ótimas condições de preservação e com narrativa muito atrativa – há muitos anos uma incógnita entre os curadores de Praga.

“Jay desconfiou ser o mítico filme perdido de Silvino Santos, ‘Amazonas, maior rio do mundo’, pela semelhança com algumas sequências conhecidas de ‘No paiz das Amazonas’”, afirma o pesquisador.

Confirmação

De acordo com o amazonense, a suspeita de que se tratava da obra perdida se deu, também, porque Jay Weissberg fez uma pesquisa prévia por registros brasileiros sobre Silvino Santos.

“Ele localizou minha tese de doutoramento em que eu elaborei um capítulo específico sobre esse filme, com mais de 130 imagens e muitas fontes de descrição textual – inéditas até então. Eu assisti e reconheci nesse filme, todas as imagens, descrições e dados, comparando com a pesquisa que fiz, defendida em 2019”, conta Sávio Stoco.

No entanto, conta Stoco, os intertítulos estavam em tcheco e o título traduzido equivale a “As maravilhas do Amazonas”, sem menção alguma ao diretor ou país produtor. “Passamos alguns meses analisando com muito cuidado, eu e ele. Mesmo a troca de título estava explicada em minha pesquisa. E os intertítulos em tcheco se explicam, pois a cada país onde o filme passou, houve necessidade dessa tradução, na época”, relata.

O pesquisador elenca os locais onde o filme já foi exibido após sua redescoberta: pela sessão em Pordenone (Itália), República Tcheca, São Paulo (Cinemateca Braisleira), João Pessoa (Fest Aruanda), Belém (MIS-PA), Rio de Janeiro e Fortaleza. E reafirma a importância da exibição da obra em Manaus. “Foi em Manaus a cidade onde o filme foi pensado por Silvino e produzido durante cerca de três anos”, afirma Stoco.

Silvino Santos entrou na história do cinema brasileiro com o seu pioneiro documentário “No Paiz das Amazonas” (1922) e como um dos maiores realizadores de não-ficção do país. Em suas memórias, Silvino chegou a contar como seu colega de equipe, Propércio de Mello Saraiva, mudou o título de “Amazonas, o maior rio do mundo”, se passou como diretor do longa e negociou sua venda internacional antes de todos os materiais do filme se perderem pela Europa.

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