Não sei se os meus verdadeiros leitores —13, acho — já passaram pela experiência de ser conduzidos, em uma cadeira de rodas, por um grande e movimentado aeroporto. Eu já.
Explico: fiz aquela imbecilidade de subir a escada rolante com duas malas. Grandes, leitor!
Querendo acompanhar o grupo, me arvorei a colocar, escada acima, dois, containers, quando não aguento nem meio.
Bom, vamos à cadeira.
Em Roma, o serviço é perfeito. As cadeiras são motorizadas e os condutores, muito bem treinados. O problema é o passageiro. Ou melhor, os passageiros!
Vem uma horda na sua direção que, efetivamente, não está lhe vendo. É a mãe que larga a mão do filho e quase… Ops! Por um triz outro desastre!
Fila do banheiro? O cadeirante, literalmente, ninguém vê. Tem quem olhe e, pela cara, parece estar pensando: “Bem feito!” Ou: “Vai para casa, coisa chata!”
E assim, entre malas, rodas e uma inesperada lição de vida, descobri e o maior obstáculo nem sempre é uma escada. É a indiferença.
É, leitor, sem querer ser ativista — e sendo —, conclamo: respeito e acessibilidade a todos os cadeirantes!
Porque estar numa cadeira de rodas não deveria significar torna-se invisível.
Coluna MZM do Jornal do Commercio

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