OPINIÃO DA EDITORA
O Cervantes, encravado em Copacabana, Rio de Janeiro, existe desde 1955 e, mesmo com o passar do tempo, não perdeu a carioquice das antigas. Tinha duas entradas. Pela rua Barata Ribeiro, onde o famoso termo ‘Bundinha de Fora’ se aplicava muito bem. Traduzindo: um balcão repleto de delícias e atendentes que soltavam os pedidos, aos gritos. Todos os clientes ficavam em um corredor estreito, de costas para a via pública (daí o apelido), de onde saiam os melhores sanduíches de pernil, filé, queijo bola com abacaxi assado. O chope? Bom, o mais estupidamente gelado do planeta. Passagem obrigatória pós-praia, o traje era livre, da sunga ao biquini, cadeira de alumínio e muita areia. Em alta madrugada ‘batiam’ ponto os boêmios famosos, como Fausto Fawcett, e dizem até que foi onde escreveu a ‘Godiva de Irajá’. O salão, com entrada pela avenida Prado Junior, com garçons longevos, as mesas eram agarradas umas nas outras, e era possível ouvir as conversas dos vizinhos, das fofocas de inicio de casamento, fim do namoro, entendidos em economia que salvariam o Brasil. Era fartura de comida, gente, um pedido dava para duas ou quatro pessoas e ainda podia levar para casa, sem vergonha de ser feliz. O melhor risoto de frutos do mar e arroz de brócolis de todo o emblemático bairro do Rio de Janeiro. Pois bem, o quase tombado estabelecimento fechou as portas por tempo indeterminado. Como disse a imprensa por lá, “a boemia carioca está na UTI”. Infelizmente.















