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Saúde

Julho Verde aborda sinais e fatores de risco dos principais cânceres de cabeça e pescoço

Campanha orienta sobre cânceres de tireoide, boca e laringe e reforça a importância do diagnóstico precoce


O Julho Verde, campanha dedicada à conscientização sobre os cânceres de cabeça e pescoço, chama a atenção para doenças que podem acometer diferentes regiões do corpo, como tireoide, cavidade oral e laringe. Especialistas do Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV-Ufam), da Rede HU Brasil, explicam as particularidades dos tipos mais frequentes, os principais fatores de risco e os sinais que merecem atenção.

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Fotos: HUGV-Ufam

Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil registra, a cada ano, cerca de 16 mil novos diagnósticos de câncer de tireoide, aproximadamente 17 mil de tumores da cavidade oral e mais de 8 mil de câncer de laringe, totalizando cerca de 41 mil novos casos estimados para 2026. Na Região Norte, a previsão é de mais de 1,5 mil novos registros.

Além da tireoide, da cavidade oral e da laringe, esse grupo inclui tumores de orofaringe, cavidade nasal, seios paranasais, glândulas salivares, lábios e pele da face e do pescoço.

Câncer de tireoide

Entre os tumores de cabeça e pescoço, o câncer de tireoide está entre os mais frequentemente acompanhados pelos cirurgiões da especialidade. Embora possa acometer homens e mulheres em qualquer idade, apresenta maior incidência entre mulheres de 40 a 60 anos.

Segundo o cirurgião de cabeça e pescoço do Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV-Ufam), da Rede HU Brasil, Lesemky Cattebeke, os principais fatores de risco são a predisposição genética e familiar e a exposição à radiação.

O especialista destaca o uso cada vez mais frequente da ultrassonografia em exames de rotina, o que favorece a identificação precoce da doença. “Com a introdução da ultrassonografia da tireoide em exames de rotina, descobrimos muito mais nódulos tireoidianos em fases iniciais. A partir das características observadas no exame, conseguimos classificá-los entre nódulos suspeitos e nódulos indolentes”, afirma.

Ele também orienta que qualquer alteração persistente na região do pescoço seja investigada. “Qualquer nódulo ou caroço no pescoço deve ser investigado o mais breve possível. No diagnóstico precoce, em nódulos em torno de um centímetro, a taxa de cura pode ser superior a 95%, com sobrevida superior a 20 anos. Por isso, é muito importante o diagnóstico precoce do câncer de tireoide”, reforça.

Câncer na cavidade oral

Na cavidade oral, o tipo mais frequente é o carcinoma de células escamosas, responsável por mais de 90% dos casos. O tumor pode atingir diferentes regiões da boca, como língua, assoalho bucal, mucosa da bochecha e outras estruturas.

De acordo com o cirurgião bucomaxilofacial do HUGV-Ufam/HU Brasil, Carlos Augusto Negreiros, hábitos como tabagismo, consumo abusivo de bebidas alcoólicas e uso de cigarros eletrônicos aumentam significativamente as chances de desenvolvimento da doença.

O especialista chama atenção para os sinais de alerta. “Algumas aftas e feridas na cavidade oral que não cicatrizam há mais de 15 dias devem ser submetidas a um exame criterioso por um especialista. Também o autoexame, a autopercepção e a procura precoce por um serviço de saúde são fundamentais. Quando existe suspeita clínica, a confirmação do diagnóstico é feita por meio de biópsia”, explica.

Segundo ele, quando a doença é identificada em fases avançadas, o impacto pode ser significativo. “Infelizmente, em alguns casos, não conseguimos fazer o diagnóstico precoce e o paciente já chega em estágio avançado. Nesses casos, pode haver comprometimento da mastigação, da deglutição, da fala e da qualidade de vida”, destaca.

Câncer de laringe

A laringe é uma das estruturas que podem ser acometidas por tumores. Como está diretamente relacionada à produção da voz, alterações persistentes, como a rouquidão, figuram entre os principais sinais de alerta.

De acordo com a otorrinolaringologista do HUGV-Ufam/HU Brasil, Geizeane Morais, muitos pacientes acabam atribuindo os primeiros sintomas a problemas comuns, como resfriados ou inflamações na garganta. “Rouquidão persistente, dor ou dificuldade para engolir e nódulos no pescoço são sinais que merecem investigação, principalmente quando permanecem por mais de duas ou três semanas. Muitas vezes, esses sintomas são confundidos com doenças comuns, o que pode atrasar o diagnóstico”, ressalta.

A especialista salienta, ainda, que os tumores nessa região são mais frequentes em pessoas acima dos 50 anos, especialmente fumantes e consumidores excessivos de bebidas alcoólicas.

A investigação clínica inclui exame físico e procedimentos específicos, como a videolaringoscopia e, quando necessário, a biópsia. “Quando o diagnóstico ocorre em fases mais avançadas, o tratamento costuma ser mais complexo e pode comprometer funções importantes, como a voz, a deglutição e a respiração. Por isso, reconhecer os sinais de alerta e buscar avaliação médica precocemente faz toda a diferença”, ressalta.

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