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Saúde

Calor intenso exige cuidados redobrados de idosos e pessoas com doenças crônicas

Geriatra orienta sobre hidratação e prevenção de complicações durante o verão amazônico


As altas temperaturas típicas do verão amazônico exigem cuidados especiais com a hidratação, principalmente entre idosos e pessoas com doenças crônicas. Além do desconforto provocado pelo calor, a perda excessiva de líquidos pode favorecer a desidratação e contribuir para o agravamento de problemas de saúde já existentes.

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Imagem: Enviada pela assessoria de imprensa do HUGV-Ufam

De acordo com previsões climáticas dos órgãos oficiais de meteorologia, o verão amazônico pode ser ainda mais severo em 2026, intensificado pelo fenômeno El Niño, com registro de temperaturas acima da média histórica.

Idosos podem desidratar sem perceber

A médica geriatra Karoline Rodrigues, do Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV-Ufam), da HU Brasil, explica que o envelhecimento provoca alterações naturais no organismo que reduzem a capacidade de adaptação às altas temperaturas.

“Com o envelhecimento, o organismo passa a ter menos água e o mecanismo que regula a sede também se torna menos eficiente. Isso faz com que o idoso tenha maior propensão à desidratação, que pode se manifestar por sintomas como tontura, fadiga e até prisão de ventre”, afirma.

Ainda segundo a especialista, idosos deixam de sentir sede na mesma intensidade que pessoas mais jovens. Isso faz com que a desidratação evolua de forma silenciosa, mesmo antes do aparecimento de sintomas mais graves. Entre os primeiros sinais estão pele ressecada, coceira, fezes endurecidas e tontura ao levantar-se.

A médica destaca que infecções comuns, como uma gripe, também podem favorecer a perda de líquidos e aumentar o risco de complicações. “Quando a pessoa bebe pouca água, uma gripe durante um período de calor pode levar à desidratação e até comprometer a função dos rins. Por isso, é importante permanecer em um ambiente fresco, reforçar a hidratação e observar qualquer mudança no estado geral de saúde”, orienta.

Karoline Rodrigues ressalta que familiares e cuidadores também desempenham papel importante nesse período, estimulando a ingestão de líquidos ao longo do dia, já que nem sempre o idoso percebe a necessidade de beber água espontaneamente.

Calor pode descompensar doenças crônicas

Pacientes com hipertensão, diabetes, doenças renais, cardíacas e hepáticas também devem reforçar os cuidados durante os meses mais quentes, que costumam ser de julho a novembro. A redução da hidratação pode favorecer alterações no funcionamento do organismo e dificultar o controle dessas enfermidades.

“Quando a hidratação não é adequada, doenças como hipertensão e diabetes podem sair do controle. A desidratação também pode comprometer o funcionamento dos rins e aumentar o risco de complicações”, explica a geriatra.

A especialista lembra ainda que alguns pacientes utilizam medicamentos, como diuréticos, que podem favorecer a perda de líquidos. Por isso, qualquer ajuste na medicação deve ser feito apenas com orientação médica.

Hidratação deve respeitar individualidades

A recomendação geral, segundo a geriatra, é ingerir cerca de 30 mililitros de água por quilo de peso corporal, o que corresponde, para a maioria das pessoas, entre 1,5 e 2 litros por dia. Entretanto, esse volume pode variar de acordo com as condições clínicas de cada paciente.

“Pessoas com insuficiência cardíaca, doença renal ou doença hepática podem ter restrição de líquidos e precisam seguir a orientação do médico. Já pacientes com obesidade, por exemplo, podem necessitar de uma ingestão maior de água. Por isso, a hidratação deve ser individualizada”, esclarece a médica.

A geriatra ressalta que, além da água, frutas com alto teor de líquidos, como melancia, melão e abacaxi, contribuem para a hidratação. Preparações como caldos e feijão também auxiliam na reposição hídrica.

Outra orientação é manter os ambientes ventilados, realizar a limpeza periódica dos aparelhos de ar-condicionado, evitar exposição ao sol nos horários de maior intensidade da radiação e utilizar roupas leves, preferencialmente de algodão, além de chapéu e protetor solar quando houver necessidade de permanecer em áreas externas.

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