Cinco anos depois, “Sessão de Terapia” retorna ao Globoplay sem querer reinventar a fórmula que a transformou em uma das melhores séries da TV. A sexta temporada reencontra o terapeuta Caio Barone, interpretado por Selton Mello, em uma fase mais madura da vida profissional, com novos pacientes e conflitos da vida contemporânea.

Foto: Globoplay
O formato é o mesmo desde a série original (“In Treatment”, 2008). Cada episódio acompanha um paciente. Pessoas sentadas em uma sala falando sobre suas dores e problemas. Conflitos comuns ganham tons transcendentes, quase religiosos, sob a escuta atenta, empática e provocadora de Caio.
As histórias de Érica, Morena, Ingrid e Ulisses abordam questões atuais sem se reduzir aos debates das redes sociais. São reais o sofrimento, as contradições e as zonas cinzentas. Como é sabido, ninguém chega à terapia carregando apenas um problema. Cada paciente traz camadas reveladas aos poucos no próprio relato.
A chegada de Rosa Gabriel, vivida por Grace Passô, como supervisora de Caio, rende alguns dos momentos mais interessantes da temporada, especialmente quando o foco deixa de ser quem está no divã e passa para quem está escutando. Terapeutas também carregam fantasmas, e Selton constrói uma transição louvável de um personagem focado e seguro para um homem traumatizado, vulnerável e explosivo.
“Sessão de Terapia” oferece algo cada vez mais raro: tempo para observar pessoas tentando entender a si mesmas. E existe algo reconfortante em assistir a uma série que ainda acredita no poder da escuta. Em tempos de respostas rápidas e opiniões instantâneas, essa é a maior qualidade da série.
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haroldomourao.substack.com
@tudosobreroteiro

















