Depois de uma carreira marcada por trazer novos ares para o rap, samba, afrobeat e a MPB, Criolo se lança em “Criolo, Amaro e Dino” no que talvez seja o projeto mais livre da sua carreira. Ao lado do pianista Amaro Freitas e do cantor português, com origens em Cabo Verde, Dino d’Santiago, o rapper constrói um disco que vai muito além da ideia de “feat” ou participações especiais. Percorrendo todas as faixas, não é possível notar uma disputa de protagonismo nem a sensação de que cada artista gravou sua parte separado. O álbum é uma jam session deliciosa que mistura jazz, ritmos africanos, beats eletrônicos, rap e música brasileira.

Fonte: Capa de Disco
O piano de Amaro Freitas atravessa as músicas com improvisos e movimentos percurssivos, enquanto Dino traz a musicalidade e um outro sotaque que aproxima o trabalho das sonoridades de matriz africana. Já Criolo aparece talvez em sua fase mais contemplativa. Em vez de buscar o impacto imediato dos versos contundentes, ele circula pelas músicas, com imagens e sensações. É só ouvir faixas como “E Se Livros Fossem Líquidos” e “Hoje Eu Vi Você” para comprovar.
Ainda que menos panfletário do que em trabalhos anteriores, existe uma dimensão política muito forte nesse álbum. O trio fala de desigualdade, apagamento cultural e violência histórica sem dar lição de moral. Com a capa do artista plástico Vik Muniz, “Criolo Amaro e Dino” é um disco que equilibra momentos de experimentação com um toque popular com três artistas extraordinários e só melhora a cada audição.


















