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Documentários sobre Ária e Etelvina estreiam em cemitério de Manaus

Exibições resgatam a memória de vítimas de feminicídio e promovem arrecadação solidária no Amazonas


O cemitério São João Batista, localizado na zona Centro-Sul de Manaus, sediou, na noite desta sexta-feira (15), a exibição dos documentários sobre Ária Ramos e Etelvina de Alencar. O evento cultural resgatou memórias históricas sobre a violência contra a mulher na capital amazonense e promoveu a arrecadação de alimentos para doação à Associação Mulheres Negras no Amazonas.

Foto: Valdo Leão

A programação cultural adotou uma ordem cronológica em suas sessões, iniciando com a apresentação do curta-metragem “Ária – Fazendo a Vida Viver”, seguido pela exibição de “Etelvina – A Ressignificação da Tragédia”. Ambas as produções audiovisuais foram dirigidas pelo cineasta Cleinaldo Marinho e buscam revisitar trajetórias de mulheres que tiveram fins trágicos em Manaus, reequilibrando as narrativas de memória da região.

Enquanto Ária Paraense Ramos foi assassinada com um tiro no dia 17 de fevereiro de 1915 no Ideal Clube, Etelvina de Alencar foi morta pelo ex-namorado 1901, tornando-se, posteriormente, uma figura de grande devoção popular.

População em peso na exibição (Foto: Patrick Jr)

 

A realização da estreia cinematográfica no cemitério histórico, tombado como Patrimônio do Estado, possui uma conexão direta com as personagens, uma vez que ambas estão sepultadas no local. O diretor Cleinaldo Marinho ressaltou que a escolha não visa transformar a necrópole em cenário, mas expandir o significado das obras.

“A arte e a cultura têm o poder de transformar um espaço de luto em um espaço de escuta, de converter a ausência em presença e o silêncio em voz”. Como artista, vivo para proporcionar estes momentos, que podem até causar inquietações”, destacou o cineasta.

Foto: Patrick Jr

O evento mobilizou fiéis e admiradores da popular “Santa Etelvina”, exigindo um planejamento logístico especial. O gerente do cemitério São João Batista, Gilmar Farias, valorizou a iniciativa inédita.

“Foi mobilizada toda uma estrutura de limpeza, organização e cuidados para receber o público da melhor forma possível. É um documentário que fala de fé, memória e também da nossa história”, pontuou o gestor.

Além do resgate reflexivo sobre feminicídio e devoção, como evidenciado pelos mais de 60 relatos colhidos no cemitério para a produção, a sessão noturna teve um foco beneficente. Todos os alimentos arrecadados durante o evento serão destinados à Associação Mulheres Negras no Amazonas.

As produções receberam incentivos ligados à Lei Paulo Gustavo, mas com parceiros governamentais distintos nas esferas municipal e estadual:

“Etelvina – A Ressignificação da Tragédia”: A produção deste documentário foi contemplada pelo Edital de Audiovisual da Lei Paulo Gustavo, gerido por meio do Conselho Municipal de Cultura (Concultura), utilizando recursos do Governo Federal. A sua exibição no cemitério São João Batista também obteve apoio logístico da Prefeitura de Manaus, através da Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp).

Atriz que deu vida a Etelvina (Foto: Patrick Jr)

“Ária – Fazendo a Vida Viver”: O curta-metragem foi contemplado pela Lei Paulo Gustavo e reuniu rede de apoio que envolveu o Governo do Estado do Amazonas, o Conselho Estadual de Cultura, a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, além do Ministério da Cultura e do Governo Federal.

Atriz que deu vida á Ária (Foto: Patrick jr)

Sobre o diretor

Cleinaldo Marinho é cineasta, diretor e produtor cultural de destaque no Amazonas. À frente da produtora CM ArteCultura & Produções, é figura muito ativa no cenário audiovisual local, conhecido por realizar obras que resgatam a memória coletiva, a história e a identidade cultural de Manaus e do estado.

Além de seus trabalhos no audiovisual com “Etelvina – A Ressignificação da Tragédia” e “Ária – Fazendo a Vida Viver” — cuja pesquisa iniciou no começo dos anos 2000 e teve o roteiro finalizado em 2007 —, Marinho também possui trabalhos voltados para os palcos. Ele foi o responsável pelo espetáculo teatral “Ritmos de Inquieta Alegria”, que é baseado no livro homônimo e retrata a vida da poetisa Violeta Branca, a primeira mulher a conquistar uma vaga na Academia Amazonense de Letras.

Veja vídeos do evento

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