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Cinema

125 anos depois: Documentário revive tragédia de ‘Santa Etelvina’

História ganha as telas em uma estrutura de cinema montada no próprio campo santo, em exibição inédita no Cemitério São João Batista


Muito antes de o termo “feminicídio” ser tipificado pela legislação brasileira, a morte brutal de Etelvina de Alencar já escancarava as marcas da violência contra a mulher no Amazonas.

Imagem: Etelvina – A Ressignificação da Tragédia/Reprodução documentário

Para resgatar essa história, que completa 125 anos, e o processo de fé que transformou a vítima em uma figura cultuada popularmente, o documentário “Etelvina – A Ressignificação da Tragédia” ganha uma estreia inusitada. O filme será exibido nesta sexta-feira, às 20h, em uma estrutura de cinema montada dentro do Cemitério São João Batista, em Manaus.

O crime ocorreu em 1901, na antiga Colônia Campos Sales. Ao longo de mais de um século, a tragédia ganhou contornos míticos e de profunda devoção, consolidando a imagem da “Santa Etelvina” entre os fiéis que buscam milagres e consolo. O curta-metragem, produzido pela CM ArteCultura & Produções, não se limita a reconstituir os detalhes do assassinato, mas foca exatamente na comoção e na fé que sucederam o luto coletivo.

Com direção de Cleinaldo Marinho e protagonismo da atriz Rosana Neves — que dá vida à jovem Etelvina —, a obra lança luz sobre o contexto de controle e opressão da época.

Imagem: Etelvina – A Ressignificação da Tragédia/Reprodução documentário

A escolha do local para a exibição nesta sexta-feira amplia a carga dramática e simbólica do lançamento. Levar a arte para dentro do Cemitério São João Batista — tradicional espaço de repouso e memória da capital amazonense — é um ato de ressignificação.

A proposta da produção é transformar o silêncio e o luto do campo santo em um ambiente de escuta, reflexão e denúncia por meio do audiovisual, proporcionando ao público uma imersão direta na história local.

O projeto foi viabilizado com recursos da Lei Paulo Gustavo, por meio do Governo do Estado do Amazonas e do Governo Federal. A sessão inédita no cemitério tem entrada gratuita, oferecendo aos manauaras uma oportunidade única de vivenciar a arte em um espaço de patrimônio histórico e relembrar uma das memórias mais reverenciadas da cidade.

Imagem: Etelvina – A Ressignificação da Tragédia/Reprodução documentário

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