“Se a ditadura foi ruim para os brancos, imagina para um jovem negro da periferia usando black power.” O depoimento presente em “Chic Show”, documentário dirigido por Felipe Giuntini e disponível na Globoplay, sintetiza o espírito da obra. Mais do que revisitar a história de um baile, o filme retrata a construção de uma identidade coletiva para a juventude negra paulistana entre as décadas de 1970 e 1990.

Foto: Globoplay
A produção acompanha a trajetória da Chic Show, evento criado pelo produtor cultural Luiz Alberto da Silva, o Luizão, que chegou a reunir mais de vinte mil pessoas. Ao longo do filme, fica claro como uma pista de dança se transformou em espaço de pertencimento, valorização da cultura negra e resistência em tempos de repressão. A narrativa é conduzida pelas lembranças de Luizão e pelos relatos de artistas e frequentadores que viveram aquele momento.
Passaram pelo palco da Chic Show nomes já consagrados como Gilberto Gil, Tim Maia, Jorge Ben Jor, Sandra de Sá e, em início de carreira, Mano Brown e Rappin´Hood. Com o passar dos anos, o baile teve o prestígio de contar com atrações internacionais, entre elas James Brown, que ajuda a dimensionar a relevância e o alcance do movimento.
Com o passar dos anos, a Chic Show transbordou para além dos bailes. Tornou-se programa de rádio, selo musical e referência para moda, comportamento e linguagem. Sua influência ajudou a abrir caminho para fenômenos que ganhariam força nas décadas seguintes, como o rap nacional e o pagode dos anos 1990. A música é o fio condutor da narrativa, mas o documentário fala, sobretudo, sobre a formação de uma consciência negra coletiva em uma sociedade marcada pelo preconceito e exclusão.
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@tudosobreroteiro


















