O consumo de bebida alcoólica associado a energéticos, prática comum em festas como o Carnaval, representa um risco real à saúde do ponto de vista nutricional, metabólico e cardiovascular. O alerta é da professora do curso de pós-graduação em Nutrologia da Afya Educação Médica de Manaus, Bruna D’ávila. A nutróloga explica que a combinação interfere diretamente na forma como o organismo percebe e reage ao álcool.

Foto: Mirko Vitali | Adobe Stock/Retirado do Estadão
Enquanto o álcool atua como depressor do sistema nervoso central, os energéticos têm efeito estimulante, elevando hormônios como adrenalina e cortisol. Essa ação oposta cria uma falsa sensação de disposição e controle, mascarando os sinais clássicos da embriaguez. “A pessoa se sente mais alerta, mas continua com prejuízo motor, cognitivo e de julgamento”, explica a especialista.
Segundo Bruna D’ávila, essa interação desregula o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, aumenta o estresse oxidativo e impõe sobrecarga às mitocôndrias, além de favorecer desequilíbrios eletrolíticos. O resultado é um maior risco de consumo excessivo de álcool sem que o indivíduo perceba os próprios limites.
Os impactos da mistura não se restringem à sensação momentânea. No coração, a associação pode provocar taquicardia, arritmias e elevação aguda da pressão arterial. No fígado, há uma sobrecarga metabólica pela tentativa de processar simultaneamente álcool, cafeína e outros aditivos presentes nos energéticos. Já no sistema nervoso, o risco inclui aumento da excitabilidade, confusão mental, convulsões e comprometimento da neurotransmissão responsável pelo controle da ansiedade e da coordenação.
Riscos até para pessoas saudáveis
Embora muitas pessoas acreditem que os riscos se limitem a quem já possui doenças, a nutróloga destaca que jovens saudáveis também estão vulneráveis, especialmente quando o consumo é frequente ou em grandes volumes. Casos de intoxicação aguda, pancreatite, hepatite alcoólica silenciosa e até morte súbita por arritmia já foram associados a esse tipo de consumo.
Palpitações, náuseas, tontura, agitação, confusão mental, dores no peito, tremores e suor excessivo são sinais de que o organismo está reagindo mal à combinação. Em situações mais graves, podem ocorrer desmaios, convulsões e alteração do nível de consciência, exigindo atendimento médico imediato.
Bruna D’ávila acrescenta, ainda, que pessoas que utilizam as chamadas ‘canetas emagrecedoras’ que associam a ingestão de álcool e energético potencializam o risco de pancreatite.
Do ponto de vista científico, não existe uma quantidade considerada segura para associar energético e álcool. “Não há evidência que valide essa combinação como segura. Mesmo uma única lata de energético já pode alterar o limiar de intoxicação alcoólica”, reforça a médica.
Para quem busca manter energia durante festas e períodos prolongados de atividade, a nutróloga recomenda alternativas mais seguras, como alimentação equilibrada, hidratação adequada e, quando indicado, suplementação orientada por profissional de saúde. Adaptógenos, vitaminas e estratégias nutricionais ajudam a sustentar a disposição sem expor o organismo aos riscos da mistura.
A hidratação constante e uma alimentação balanceada também têm papel fundamental na redução dos efeitos do álcool, contribuindo para a proteção do fígado, evitando hipoglicemias e reduzindo a sobrecarga renal.
Atendimento gratuito – Em Manaus, a Afya Educação Médica oferece atendimento gratuito em várias especialidades, incluindo Nutrologia. O serviço é parte das atividades práticas dos cursos de pós-graduação.
Os atendimentos, por agendamento, são realizados na sede da instituição, na avenida André Araújo, 2767, bairro Aleixo. “Com essa iniciativa, os médicos estudantes de pós-graduação conseguem tratar casos reais e a comunidade é beneficiada com a oferta de atendimento”, explica a diretora da unidade, Suelen Falcão.


















