O cantor e compositor nipo-brasileiro-amazônico Marcelo Nakamura apresenta o seu segundo disco, Naka & os Piranha, concebido entre 2019 e 2020 ao lado de Remi Chatain e Bruno Duarte. O trabalho, gravado no Estúdio Guevara, em São Paulo, onde o artista morou por alguns meses, dialoga com o trabalho de estreia de Naka, Psycho Bagaceira (2016), mas traz novos rumos em sua sonoridade.

(Foto: Divulgação)
O formato trio de Naka & os Piranha surgiu no momento em que Nakamura passou esse tempo em São Paulo e precisava de uma banda para acompanhar seus devaneios sonoros amazônicos. “Encontrei no caminho o Remi e o Bruno, que foram duas peças chaves na minha estada por lá”, diz ele, hoje de volta a Manaus. Remi Chatain, produtor desse trabalho, também é o responsável pelo som do saxofone, tão característico nas músicas nortistas e, ainda, dos beats e dos sintetizadores. O músico é integrante da Trupe Chá de Boldo. Já Bruno Duarte assina a percussão do álbum. É multi-instrumentista e é integrante de outros grupos, como Xaxado Novo e Gestos Sonoros.
Além do trio, Naka & os Piranha conta com uma série de participações especiais: Otto, Samuca (Samuca e a Selva), Mariana Degani, Bruniño, as guitarras de Rafael Ângelo (Alaídenegão), o violinista Diego Cosamores, além do compositor Magaiver (Casa de Caba) e os metais de Nicolly Silva e Eliézer Tristão.

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Toadas, beiradões, cúmbias, carimbós, boleros, música brega, arrocha e ijexá – ou misturas disso tudo – surgem nas dez faixas do disco com novos contornos, resultado também da participação dos músicos paulistanos da banda. “Usamos beats, samples, synths, coisas que nunca imaginava que usaria em uma gravação. O caminho seguiu para uma tendência atual, mas sem deixar o orgânico de lado. Ao contrário, demos ênfase à fusão, de um modo natural”, conta Nakamura.

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Sobre a relevância da música do Norte na cena contemporânea, Naka acredita que boa parte desse reconhecimento vem do Pará, que nunca deixou de exportar grandes nomes para o mainstream nacional. Mas o Norte todo é permeado de artistas incríveis, com uma musicalidade ímpar. “O Amazonas nunca deixou de ser reconhecido culturalmente pelo boi-bumbá. No entanto, se tratando de outras linguagens, uma parte significativa desses artistas não têm tanta visibilidade e acabam ficando esquecidos. Mas, aos poucos estamos quebrando essas barreiras e ocupando os meios de comunicação para mudar esse panorama. O desafio é adentrar na mente das pessoas aos poucos, tentando mostrar nossos valores, nossa música, nossa estrada e nossas obras”.


















