Em um intervalo de menos de dois anos, Filipe Luís Kasmirski protagonizou uma das transições mais rápidas e bem-sucedidas do futebol mundial: de lateral-esquerdo cerebral a treinador multicampeão pelo Clube de Regatas do Flamengo (CRF). Nascido em Jaraguá do Sul e moldado pelo rigor tático europeu, o técnico é uma “anomalia intelectual” no esporte, utilizando desde a teoria soviética de xadrez até conceitos de astrofísica para gerir egos e táticas sob a pressão máxima da Gávea.

(Foto: reprodução/ Instagram – @flamengoen)
As Raízes nas Quadras de Jaraguá
A elegância técnica de Filipe Luís não nasceu nos gramados, mas no futsal de Jaraguá do Sul, polo mundial da modalidade. Sob a tutela do treinador Maneca, ele desenvolveu o “domínio orientado” e o famoso “corte seco”, habilidades que compensavam sua falta de velocidade física. Até os 14 anos, Filipe dedicou-se exclusivamente à bola pesada por influência de seu pai, Moisés, que acreditava que o piso rápido das quadras era o laboratório ideal para o refinamento cognitivo. Esse legado é tão valorizado pelo técnico que ele investiu cerca de 1 milhão de euros na criação do Centro Esportivo Filipe Luís em sua cidade natal.
O Estrategista: Xadrez e o “caderno” de notas
Diferente do arquétipo tradicional do ex-jogador, Filipe é um estudioso obsessivo. Ele utiliza o xadrez como um simulador tático, traçando paralelos entre o controle das casas centrais do tabuleiro e o domínio do meio-campo no futebol. Sua biblioteca pessoal inclui obras de grandes mestres como Garry Kasparov e crônicas soviéticas de Genna Sosonko sobre a mente humana sob pressão.
Durante sua carreira como atleta, ele manteve o hábito de registrar em cadernos todos os treinamentos e ideias de seus comandantes. Como treinador, ele sintetiza a solidez defensiva do “Cholismo” de Diego Simeone com a agressividade ofensiva de Jorge Jesus. Para Filipe, ele é o arquiteto que “idealiza o quadro”, mas são os jogadores quem “pintam a obra” em campo.
Misticismo e a Conexão Sagrada
Apesar da mente científica, Filipe Luís é movido por rituais e uma sensibilidade profunda. Ele adotou a superstição argentina “Kiricocho”, uma palavra usada para invocar o azar do adversário em momentos críticos, como pênaltis. Além disso, mantém uma conexão quase religiosa com a memória dos dez jovens falecidos no incêndio do Ninho do Urubu em 2019. O treinador visita o memorial sozinho em momentos de introspecção e dedica suas vitórias às famílias das vítimas, transformando o luto em um propósito moral para o elenco.
A ascensão e o futuro europeu
Desde que assumiu o comando técnico, Filipe Luís varreu títulos: conquistou a Copa do Brasil (2024), a Libertadores (2025) e o (Campeonato Brasileiro (2025), acumulando um aproveitamento de elite superior a 70%. Sua gestão é marcada por inovações, como a utilização de atacantes em funções de alas e a implementação de uma marcação zonal pura.
Atualmente agenciado por Jorge Mendes (mesmo empresário de José Mourinho), Filipe renovou com o Flamengo até 2027, mas não esconde seu “sonho europeu”. O técnico se prepara para, no futuro, disputar a Champions League, tendo já as licenças da UEFA e um pacto com o ex-jogador português Tiago Mendes para formarem uma comissão técnica no Velho Continente.
Para Filipe Luís, o futebol é como uma partida de xadrez em alta velocidade: onde a maioria vê apenas o movimento da bola, ele antecipa as três jogadas seguintes, movendo suas peças com a precisão de quem sabe que o caos, para ser vencido, precisa ser controlado.


















