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Justiça investiga ilegalidade, pane de segurança e elo político entre Prefeito de Manaus e roda gigante da Ponta Negra

Ação popular e representação no TCE-AM questionam legalidade da concessão e segurança após atração travar por mais de uma hora


O vereador Coronel Rosses (PL) ajuizou uma ação popular na 3ª Vara da Fazenda Pública de Manaus na segunda-feira (24) pedindo a suspensão temporária do funcionamento da roda-gigante instalada no Complexo Turístico da Ponta Negra, na Zona Oeste de Manaus, enquanto o vereador Rodrigo Guedes (Progressistas) acionou o Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM), que abriu processo em na última terça (26) para apurar irregularidades na atração.

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(Fotos: Arquivo/ Semcom e reprodução – redes sociais)

As medidas judiciais e de controle ocorrem após o equipamento ter travado por mais de uma hora no sábado (22), deixando dezenas de pessoas presas nas cabines e levantando questionamentos sobre a legalidade da operação, dada a ausência de licitação, a falta de transparência nos documentos de concessão e o vínculo do sócio da empresa operadora comercial, a Wheel Manaus J.P. Diversões Ltda., com a campanha eleitoral de 2024 do prefeito David Almeida (Avante).

Vídeo: reprodução/ redes sociais

 

Investigações miram atual gestão e falta de transparência

As ações movidas na Justiça e no TCE-AM focam na legalidade da instalação e operação do equipamento. Coronel Rosses solicitou a interdição da roda-gigante até que a empresa responsável apresente a documentação oficial que autoriza a exploração do espaço público e comprove a segurança do equipamento.

Já a representação do vereador Rodrigo Guedes, que resultou na abertura de processo no TCE-AM, aponta possíveis falhas na autorização de uso, ausência de licitação, falta de transparência, riscos à segurança e o suposto uso de energia pública para fins privados. O processo no TCE-AM tem como relator o conselheiro Érico Xavier Desterro.

Guedes afirma que não há documentos públicos disponíveis sobre o contrato, autorização, contrapartidas financeiras, regras de fiscalização, termos de responsabilidade ou laudos técnicos e de segurança, o que pode configurar improbidade administrativa. O parlamentar questiona se houve autorização do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) e emissão de Anotações de Responsabilidade Técnica (ART).

Empresas, operador e vínculo político

A Prefeitura de Manaus informou, em nota, que a administração da estrutura está sob responsabilidade da H. M. Diversões LTDA, com nome fantasia ‘Nene Park’, empresa existente desde 2011 e que possui um Termo de Cessão de Uso Oneroso. Os sócios da H. M. Diversões são Harley Belarmino de Souza e Maria Gabriela Michael Patino.

No entanto, a exploração comercial estaria sendo conduzida pela J. P. Diversões LTDA, de nome fantasia Wheel Manaus, que foi criada recentemente, em 18 de novembro de 2025 — apenas dois dias antes da inauguração da atração. O sócio-administrador da Wheel Manaus é Jean Marcos Praia Rocha, que não figura no termo de cessão. A Wheel Manaus publicou em suas redes sociais a arte publicitária oficial de venda de ingressos, centralizando a comunicação e exploração comercial.

A Wheel Manaus afirmou que atua apenas como prestadora de serviços de bilheteria para a H. M. Diversões, conforme um contrato privado, e que não possui autorização pública para operar a atração.

Jean Marcos Praia Rocha, sócio da Wheel Manaus, foi identificado como um dos principais líderes da campanha de reeleição do prefeito David Almeida em 2024. Ele atuava como professor de Zumba e líder de campanha para angariar votos, sendo apresentado ao prefeito e ao vice-prefeito Renato Júnior (Avante) por seu tio, Hudson Praia (Agir), que atualmente ocupa um cargo de assessor técnico no Fundo Municipal de Cultura (FMC) da Prefeitura de Manaus, com salário mensal de R$ 4,8 mil.

Pane e acusações de sabotagem

A atração, que tem autorização para funcionar por até seis meses, paralisou no sábado pouco mais de 48 horas após sua inauguração, deixando dezenas de pessoas presas nas cabines e provocando desespero. O resgate foi concluído após a intervenção do Corpo de Bombeiros.

O ex-vereador Amauri Gomes (União), que estava no local, denunciou uma possível ligação clandestina de energia abastecendo o equipamento. A denúncia e o incidente foram registrados no 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP), que investiga se houve falha técnica, sabotagem ou irregularidades no fornecimento elétrico.

Após a pane, David Almeida acusou integrantes da equipe de Amauri Gomes de cortarem fios da roda-gigante em uma suposta sabotagem. Amauri Gomes reagiu, afirmando que foi injustamente acusado e que estava no local apenas para denunciar a ligação clandestina, cobrando que o prefeito divulgue imagens das câmeras de segurança. Por sua vez, a Wheel Manaus afirmou em nota que o desligamento ocorreu por “ação humana externa” e que a energia fornecida é regular e autorizada.

Preços e reclamações dos visitantes

A atração tem gerado críticas do público também por causa do preço dos ingressos. David Almeida havia anunciado que os ingressos seriam acessíveis, mas os valores oficiais são de R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada). Nas compras online, esses valores sobem para R$ 46 e R$ 23 devido à taxa de conveniência.

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