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Saúde

Especialista alerta sobre doenças causadas pelo tabagismo

Câncer de boca é um dos principais problemas, potencializado pelo uso indiscriminado do cigarro e também de versões eletrônicas do produto


Houve uma época em que fumar era associado ao glamour, à sofisticação e refletia diretamente um estilo de vida, ditado pelo cinema americano e amplamente adotado no Brasil. Mas, ao mesmo tempo em que essa referência se firmava entre jovens e adultos, muitas doenças foram aumentando à medida que o consumo do tabaco crescia, entre os quais problemas bucais, de coração e de pele.

Imagem: Enviada pela assessoria de imprensa

Com o avanço das enfermidades, cada vez mais associadas ao uso indiscriminado do cigarro, profissionais de saúde e governos começaram a adotar campanhas e estratégias para conter esse aumento.

Por sorte, algumas ações têm tido efeito, mas cirurgiões-dentistas alertam para doenças silenciosas, sintomas e desconfortos sociais que o cigarro causa na saúde humana. “O tabagismo é um dos principais fatores de risco para câncer de boca, por conter diversas substâncias cancerígenas, que podem alterar as células. De modo geral, quanto maior a quantidade de cigarros e o tempo de exposição, maior o risco”, ressalta a cirurgiã-dentista Tassia Caroline.

Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) estimam que o Brasil registre 17.190 novos casos de câncer de boca por ano durante o triênio de 2026 a 2028. É um número alarmante, principalmente porque boa parte desses casos terão o tabagismo como causa.

Coordenadora do curso de Odontologia da Afya Faculdade de Ciências Médicas de Manacapuru, Tassia Caroline chama a atenção também para o uso de cigarros eletrônicos, considerados fator de risco para o câncer de boca.

“Os cigarros eletrônicos podem causar alterações na saliva, aumento da placa bacteriana, inflamação gengival, alterações na microbiota oral e danos às células da mucosa. Além disso, seus aerossóis contêm substâncias tóxicas e carcinogênicas, o que faz com que sejam considerados um potencial fator de risco para o câncer de boca”, reforça.

Além do câncer, a profissional destaca, ainda, outros malefícios que podem acometer quem é usuário frequente de cigarros: mau-hálito, manchas nos dentes, alteração do paladar e doença periodontal, podendo também prejudicar a cicatrização dos tecidos.

E não é só isso. A lista é grande, como gengiva retraída, mobilidade dentária, alterações na mucosa bucal como placas brancas ou avermelhadas, além de áreas ulceradas e endurecidas, principalmente na região da língua.

Sinais

E como se atentar para esses sintomas? Tassia alerta que feridas que não cicatrizam em cerca de 15 dias, manchas brancas ou vermelhas nas mucosas, áreas endurecidas, sangramento sem causa aparente e dificuldade para mastigar ou engolir devem ser avaliados por um cirurgião-dentista.

Para manter uma saúde bucal, mesmo na condição de fumante, a cirurgiã-dentista orienta cuidados básicos, como uma escovação adequada e uso do fio dental, além de acompanhamento regular com o cirurgião-dentista.

“A própria pessoa também pode inspecionar os tecidos da boca, observando possíveis alterações. Isso é importante porque muitas lesões podem ser assintomáticas nas fases iniciais. É importante ressaltar que o autoexame não substitui a avaliação profissional, mas pode contribuir para a identificação precoce de lesões bucais”, afirma a coordenadora do curso de Odontologia da Afya Faculdade de Ciências Médicas de Manacapuru.

Segundo Tassia, o correto seria o fumante realizar consultas regulares com o cirurgião-dentista a cada seis meses, mas essa frequência, ressalta, pode variar conforme o risco e as condições de saúde bucal de cada pessoa, principalmente de fumantes com doença periodontal, lesões na mucosa ou outros fatores de risco que podem precisar de avaliações mais frequentes. “E, diante de qualquer alteração persistente na boca, a consulta com o cirurgião-dentista deve ser antecipada.”

Num cenário de doenças previsíveis e imprevisíveis, a ideia seria parar de fumar, afirma a profissional, uma vez que a medida traz benefícios importantes para a saúde bucal, como melhora da cicatrização, da saúde gengival, do paladar e do olfato, além de reduzir progressivamente o risco de doença periodontal e câncer de boca.

“Mas os benefícios vão além da cavidade oral, com diminuição do risco de diversos outros tipos de câncer, além de doenças cardiovasculares e respiratórias relacionadas ao tabagismo”, finaliza Tassia Caroline.

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