Uma das coisas mais encantadoras no documentário “Viva Marília”, dirigido por Zelito Viana, com codireção de Esperança Motta e roteiro de Nelson Motta, é assistir Marília Pêra em cena. Suas performances no palco, na TV e no cinema são puro deleite. Uma atriz que tinha controle pleno de seus inúmeros talentos. Ela dançava e cantava, assim como Bibi Ferreira, foi uma das últimas atrizes-cantoras de sua geração, e transitava do canto lírico ao popular com a mesma desenvoltura.

Foto: Globo Filmes / Canal Brasil
É a própria Marília quem conta sua história. O filme costura entrevistas concedidas ao longo de décadas com trechos de novelas, filmes, peças, números musicais, fotografias e imagens pouco conhecidas de seu arquivo pessoal. O resultado é um passeio por uma carreira que atravessou teatro, televisão e cinema e na qual vida e trabalho são inseparáveis.
Ao acompanhar essa trajetória, “Viva Marília” também percorre as transformações culturais e políticas do Brasil entre as décadas de 1960 e 1980. Há espaço para lembrar sua participação em “Roda Viva”, de Chico Buarque, espetáculo atacado por integrantes do Comando de Caça aos Comunistas em 1968, e para observar como Marília construiu sua carreira em uma geração de mulheres que conquistava novos espaços dentro e fora dos palcos.
O tom é assumidamente afetivo, celebratório e, como um álbum de família, reúne um material extraordinário. No fim do documentário, fica a vontade de continuar assistindo Marília cantar, dançar, interpretar e conversar. Um reencontro delicioso com uma das maiores artistas do nosso país.
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