Filmes sobre relações entre pais e filhos quase sempre nos apresentam histórias sobre a distância emocional que impede uma comunicação verdadeira entre os membros de uma família. Os personagens têm dificuldades em mostrar seus sentimentos ou, às vezes, os mostram até demais. São histórias de afeto, perdas e reconciliação mundialmente compreensíveis: Aftersun (2022), o recente Malu (2024) e o consagrado 2 Filhos de Francisco (2005).

Foto: Autoral Filmes
A comédia dramática holandesa Champagne, em cartaz nos cinemas, não fica atrás e segue essa cartilha com humor e emoção. Inspirada na experiência pessoal do ator, roteirista e comediante Leo Alkemade, a trama acompanha Maarten (Alkemade), cuja vida vira de cabeça para baixo quando seu pai, Hans (Stapel), revela que está gravemente doente. Hans é um bonachão adorável que decide viver até sorver a última gota do melhor champanhe. Maarten, por outro lado, vive anestesiado pelo trabalho, dentro de uma família que parece ter perdido o encanto.
Determinado a realizar o último desejo do pai, Maarten o leva em uma viagem de carro pela região de Champagne, na França. É um filme simples, de diálogos espirituosos e ritmo contemplativo, que parece adiar a cada parada o doloroso fim desse road movie de pai e filho. Entre taças, estradas e conversas que durante muito tempo não tiveram, os dois vão diminuindo a distância que os separa e, aos poucos, descobrem que são mais parecidos do que supunham.
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haroldomourao.substack.com
@tudosobreroteiro


















