Considerado um dos principais reguladores da imunidade e da inflamação do organismo, o intestino responde diretamente aos hábitos cotidianos, muitos deles aparentemente inofensivos, mas capazes de comprometer o funcionamento do sistema digestivo ao longo do tempo e causar doenças graves, como o câncer.

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Segundo a médica Vanessa Cardoso, professora do curso de pós-graduação em Gastroenterologia da Afya Educação Médica, em Manaus, fatores como alimentação pobre em fibras, noites mal dormidas, estresse constante e automedicação estão entre os comportamentos mais associados ao desequilíbrio da microbiota intestinal, conjunto de microrganismos essenciais para o bom funcionamento do organismo.
Entre os erros mais comuns da rotina estão o baixo consumo de fibras, presentes em frutas, verduras, legumes e grãos integrais, e o excesso de açúcar e alimentos ultraprocessados, que favorecem inflamação e alterações bacterianas no intestino.
Outro comportamento comum nos dias atuais é comer rapidamente ou sob tensão emocional. A professora da Afya explica que a digestão começa ainda na mastigação e depende do equilíbrio do sistema nervoso. Quando o organismo permanece em estado constante de alerta, típico do estresse crônico, há prejuízo da motilidade intestinal e aumento de sintomas, como gases, dor abdominal e constipação.
De acordo com a médica, a privação de sono também entra na lista de fatores de risco. Estudos mostram que noites mal dormidas interferem na resposta inflamatória e no equilíbrio da microbiota. Além disso, o uso recorrente de anti-inflamatórios sem orientação médica pode causar lesões na mucosa intestinal e alterar a chamada barreira intestinal, aumentando a vulnerabilidade a inflamações.
Dietas restritivas e hábitos ignorados – Ela alerta, ainda, que dietas restritivas adotadas sem acompanhamento profissional também podem causar impacto negativo ao intestino. A exclusão desnecessária de grupos alimentares reduz a diversidade bacteriana e pode levar a deficiências nutricionais.
Outro hábito frequentemente negligenciado é ignorar a vontade de evacuar. A repetição desse comportamento enfraquece o reflexo natural do intestino e contribui para quadros de prisão de ventre crônica.
O consumo de álcool e o tabagismo também estão associados ao aumento do risco de câncer colorretal, além de alterações na permeabilidade intestinal e na microbiota. Por outro lado, a baixa ingestão de alimentos fermentados naturais, como iogurte e vegetais reduz a oferta de bactérias benéficas importantes para o equilíbrio intestinal.
A médica destaca que sintomas como inchaço persistente, gases excessivos, diarreia ou constipação frequente não devem ser considerados normais quando se tornam recorrentes. Outros sinais de alerta incluem sangue nas fezes, anemia sem causa aparente, perda de peso involuntária, dor abdominal persistente ou mudança recente do hábito intestinal. Nesses casos, a avaliação médica é indispensável.
“O bom funcionamento do intestino depende das escolhas feitas diariamente ao longo da vida. Não existe solução rápida para a saúde intestinal. O intestino responde à soma de hábitos mantidos por anos. Pequenas mudanças consistentes têm impacto real na prevenção de doenças e na qualidade de vida”, disse.


















