Assumir diferentes papéis ao mesmo tempo, como profissional, mãe e esposa, por exemplo, pode causar uma sobrecarga emocional às mulheres, com impactos na saúde mental. É o que afirma a psicóloga e especialista em Saúde Mental, Maria do Carmo Lopes.

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Segundo ela, os dados reforçam essa percepção. Em 2025 foi registrado, no Brasil, mais de meio milhão de afastamentos do trabalho, em decorrência de questões relacionadas à saúde mental, aponta o Ministério da Previdência Social. As mulheres representam 64% dos afastamentos.
“Até hoje, a sociedade continua a cobrar da mulher a responsabilidade de cuidar e administrar a casa, educar os filhos e, ao mesmo tempo, ser bem-sucedida profissionalmente. Esse acúmulo de funções pode levar ao esgotamento físico e emocional”, afirma a psicóloga.
De acordo com Maria do Carmo Lopes, esse desgaste pode se manifestar de diversas formas, afetando diretamente a saúde e a qualidade de vida.
“A mulher pode apresentar dificuldade de concentração, insônia e até mesmo negligenciar o autocuidado. É um processo que começa muitas vezes de forma silenciosa, mas que tende a se agravar com o tempo”, destaca.
Outro ponto de atenção, de acordo com Maria do Carmo Lopes, é a perda da identidade pessoal. Ao priorizar constantemente as demandas familiares e profissionais, muitas mulheres acabam se colocando em segundo plano. “Existe um risco significativo de a mulher se anular. Ela passa a funcionar no automático, deixando de olhar para si mesma, para suas necessidades e desejos. Isso gera exaustão mental, estresse, ansiedade e insatisfação”, explica.

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A especialista frisa que, apesar de invisível, a sobrecarga mental dá sinais claros de alerta. Entre os sintomas físicos mais comuns estão cansaço extremo e persistente, tensão muscular, dores de cabeça, desconfortos gastrointestinais e alterações no sono e no apetite. Já no campo emocional, podem surgir irritação, apatia, tristeza e ansiedade.
Maria do Carmo ressalta que também há impactos cognitivos e comportamentais, como esquecimentos frequentes, dificuldade na tomada de decisões, queda na produtividade e isolamento social. “A mulher passa a sentir que não consegue dar conta das tarefas, além de desenvolver uma autocrítica intensa e uma cobrança excessiva sobre si mesma”, pontua.
Para reduzir os impactos dessa rotina e preservar o equilíbrio emocional, a especialista dá algumas dicas, como fazer mudanças no dia a dia, estabelecer limites, dividir responsabilidades e organizar as tarefas.
“Delegar funções, seja em casa ou no trabalho, é fundamental. Além disso, é importante reconhecer o próprio limite e aprender a dizer não, sem culpa”, orienta.
Maria do Carmo Lopes também reforça a importância do autocuidado como prática constante, além da terapia. “Fazer pausas ao longo do dia, manter uma rotina com atividades físicas, investir no autoconhecimento e evitar o isolamento social são medidas importantes. É claro, sem esquecer da importância de um acompanhamento psicológico, fazer terapia e buscar uma melhora na qualidade de vida”, afirma.


















