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Saúde

Casos de AVC entre pessoas mais jovens crescem 20% no Brasil, nos últimos cinco anos

No Amazonas, foram registrados mais de dois mil óbitos de pessoas entre 15 a 49 anos, em decorrência de Acidente Vascular Cerebral


Os casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC) têm aumentado entre as pessoas mais jovens. Dados da Rede Brasil AVC mostram o crescimento de 20% nas ocorrências do tipo, nos últimos cinco anos, na faixa etária de 18 a 45 anos.No Amazonas, de acordo com dados do Ministério da Saúde, de janeiro a agosto do ano passado, foram registradas 12.395 mortes por AVC, sendo 2.793 pessoas com idade entre 15 e 49 anos.

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Foto: Reprodução/Freepik/EmilyStock

Para o médico cardiologista Anfremon D’Amazonas, professor da Afya Educação Médica, o aumento de casos entre pessoas mais jovens está relacionado, principalmente, a fatores cardiovasculares que têm surgido de forma mais precoce.

“O AVC pode ter diferentes causas, mas as mais comuns estão ligadas a doenças cardiológicas, como arritmias, e à aterosclerose, que é o acúmulo de gordura nos vasos sanguíneos. Esses quadros estão associados a condições como hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado, obesidade e sedentarismo, cada vez mais frequentes nessa faixa etária”, explica.

Anfremon D’Amazonas ressalta que o estilo de vida dos jovens, atualmente, contribui diretamente para esse cenário.

“A rotina intensa, o estresse constante, a alimentação inadequada e a baixa prática de atividade física favorecem o desenvolvimento precoce dessas doenças. Além disso, hábitos como tabagismo, consumo excessivo de álcool e uso de drogas ilícitas também aumentam o risco de AVC entre jovens”, afirma.

Entre as mulheres, alguns fatores merecem atenção especial, segundo o cardiologista. A associação entre uso de anticoncepcional e tabagismo pode aumentar o risco de AVC.

“O estrogênio presente em alguns anticoncepcionais e o cigarro têm efeito pró-trombótico, ou seja, aumentam a tendência de formação de coágulos no sangue. Esses coágulos podem obstruir vasos cerebrais e levar ao AVC”, destaca o professor da Afya.

O cardiologista esclarece que o anticoncepcional, de forma isolada, é considerado seguro para a maioria das mulheres. “O risco se torna maior quando há associação com o tabagismo, especialmente em mulheres acima dos 35 anos ou que já possuem outros fatores de risco, como hipertensão, enxaqueca com aura ou histórico familiar de doenças cardiovasculares”, completa.

Prevenção é fundamental

Estimativas do Ministério da Saúde indicam que mais de 80% dos casos de AVC poderiam ser evitados com medidas preventivas, como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, controle da pressão arterial, do diabetes e do colesterol, além da suspensão do tabagismo e do consumo excessivo de álcool.

“O AVC não é uma condição exclusiva da população idosa. Informar, orientar e incentivar hábitos saudáveis desde cedo é essencial para reduzir riscos e promover mais qualidade de vida ao longo dos anos”, comenta o cardiologista e professor da Afya.

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