Manaus,
×
Manaus,

Saúde

Amazonense lidera vacina universal contra malária com publicação na Nature

Estudo da pesquisadora Luna de Lacerda é o primeiro da revista liderado por cientistas brasileiras


A cientista amazonense Luna de Lacerda apresentou, nesta quinta-feira (9), no CT Vacinas da UFMG, a UniMaV, uma vacina universal contra a malária. O projeto, publicado na prestigiosa revista Nature, é um marco histórico por ser o primeiro liderado integralmente por mulheres brasileiras, prometendo combater múltiplas espécies do parasito.

img-20260410-wa0037

Arquivo pessoal: Luna de Lacerda

A pesquisa, que durou sete anos, representa um salto tecnológico no combate à doença parasitária que mais mata no mundo. A UniMaV diferencia-se das vacinas atuais por focar em proteínas conservadas (housekeeping), o que permite uma proteção “universal” tanto contra o Plasmodium vivax quanto contra o Plasmodium falciparum.

O trabalho é capitaneado por um trio feminino de destaque: Luna de Lacerda e Camila Barbosa como primeiras autoras, sob a idealização da professora Caroline Junqueira.

Segundo Luna, o feito transcende o impacto acadêmico: “É o primeiro paper da história da revista a ser totalmente liderado por mulheres brasileiras. Isso é muito legal para mostrar a qualidade científica feita no país”, afirmou a pesquisadora durante o seminário.

Natural de Manaus e graduada em Biotecnologia pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Luna é filha de Homero Lacerda e Lucyene Barroco. Sua trajetória foi enaltecida pelo coordenador do CT Vacinas, Ricardo Gazzinelli, que destacou a determinação da cientista em aguardar o aceite da publicação antes da exposição pública: “Ela disse: ‘quero esperar meu paper da Nature ser publicado’. Realmente é uma pessoa de muita autoconfiança e competência”, disse Gazzinelli na abertura do evento, nesta quinta.

Tecnicamente, a vacina utiliza um mecanismo inovador que ativa células T CD8+ para eliminar o parasito ainda na fase sanguínea, utilizando a molécula HLA-E como apresentadora de antígenos. Outro diferencial estratégico para o Brasil é a estabilidade logística do imunizante. Testes de estresse mostraram que a vacina permanece estável por até seis meses em temperaturas de 30°C, facilitando a distribuição em áreas remotas e de clima tropical.

Atualmente, o projeto da UniMaV entra em fase de escalonamento de produção e ensaios de segurança. “Agora a pergunta é: ‘a vacina está pronta?’. Temos muitas etapas, mas já produzimos lotes com estabilidade e reprodutibilidade”, explicou Luna, ao detalhar os próximos passos para os ensaios clínicos em humanos.

Você também pode gostar...

Os comentários são de inteira responsabilidade do autor e não expressam a opinião do Portal Mazé Mourão. Você pode ser denunciado caso comente algo racista, injúria ou conteúdo difamatório.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

3 × dois =