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Saúde

Abril Azul: estudos comprovam benefício de massagens em crianças autistas

Estudos clínicos apontam que as massagens reduzem a ansiedade de crianças com TEA


No Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, celebrado em 2 de abril, é importante a conscientização sobre a busca por uma melhor qualidade de vida para pessoas que vivem no espectro. Além do tratamento multidisciplinar, focado no desenvolvimento das habilidades sociais, de comunicação e comportamentais, terapias complementares vêm ganhando espaço na rotina de autistas.

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Foto: Freepik

Entre elas está a massoterapia, terapia que utiliza o toque e a manipulação do corpo para promover relaxamento, aliviar dores e melhorar o bem-estar físico e mental. Uma revisão publicada na Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos aponta que estudos clínicos comprovam que as massagens reduzem a ansiedade de crianças com TEA, melhoram a comunicação social e favorecem a formação de proximidade e vínculos com os pais.

O mecanismo é fisiológico: o toque estruturado estimula o sistema parassimpático, parte do sistema nervoso responsável por desacelerar o organismo e promover o descanso, e reduz os níveis de cortisol, o hormônio do estresse. O resultado é uma resposta de relaxamento em crianças que, por características do espectro, operam com frequência em estado de alerta e apresentam hipersensibilidade sensorial.

Cuidados

A aversão ao toque é um dos principais desafios no atendimento a crianças TEA. Professor dos cursos técnicos de Massoterapia e Estética do Centro de Ensino Técnico (Centec), em Manaus, Marcos Venicius Borges de Souza orienta terapeutas e famílias sobre como contornar essa barreira.

“Tudo é uma questão de adaptação durante a atividade. Tem gente que permite ser tocado na região do ombro, mas não na região lombar. O ideal é trabalhar uma parte de cada vez, sempre dosando a pressão para que a pessoa sinta conforto”, afirma. Gestos e reações durante a sessão indicam ao terapeuta onde avançar ou recuar. O vínculo, diz ele, se consolida ao longo de algumas sessões.

Técnicas

Algumas das técnicas mais comuns da massoterapia incluem o deslizamento (movimentos suaves e contínuos para aquecer os tecidos), amassamento (compressões rítmicas que aliviam tensões musculares), a fricção (movimentos mais profundos para atuar em pontos de dor), a percussão (batidas leves e rápidas que estimulam a circulação) e o alongamento, usado para melhorar a mobilidade e relaxar o corpo.

Além delas, o Shiatsu, método japonês que trabalha com pressão em pontos específicos do corpo, também é indicado pelo professor para pacientes com TEA. A técnica, que utiliza pressão com os dedos ou palmas da mão, favorece a percepção corporal e condiciona movimentos progressivamente mais amplos, respeitando o ritmo de cada criança.

Os óleos essenciais entram como recurso complementar. Para crianças com agitação intensa, Marcos indica lavanda diluída a 2% em óleo vegetal para aplicação na pele durante a massagem. Nos casos em que a dificuldade envolve foco, sugere alecrim ou óleos cítricos, como laranja, aplicados no início do dia, antes da escola.

Em casa

O professor do Centec defende que os próprios pais podem aplicar técnicas simples em casa, com orientação do massoterapeuta. “Uma massagem rápida de cinco minutos nos pés, antes de dormir, já ajuda muito. O paciente com agitação intensa não vai permitir que você trabalhe por muito tempo, então você adapta”, explica.

A vantagem dos pais é o vínculo preexistente com a criança. Marcos ressalta que o profissional de massoterapia pode treinar a família para realizar as manipulações em casa, com orientação sobre técnica, pressão e uso correto dos óleos.

“Acontece muito de os pais terem uma facilidade maior do que o terapeuta, porque a criança já confia neles. Esse treinamento para os pais poderem ajudar suas crianças no dia a dia é muito interessante”, conclui o professor.

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