Uma influenciadora digital de 13 anos com milhões de seguidores, cuja vida online parece perfeita, mas esconde uma rotina de controle extremo e segredos abafados dentro de casa. É a premissa de #SalveRosa. Um filme que equilibra denúncia social e entretenimento ao mergulhar no universo da superexposição infantil nas redes, mostrando que por trás de cada vídeo fofinho pode haver uma pressão psicológica silenciosa.

Imagem: Netflix/Salve Rosa
Dirigido por Susanna Lira, Karine Teles e Klara Castanho vivem mãe e filha nesse suspense com tintas fortes de drama familiar. Klara interpreta a protagonista Rosa ao mesmo tempo encantadora e trágica. É uma adolescente que domina o enquadramento, o sorriso e o timing para as câmeras, mas que revela uma fragilidade enorme quando a lente se fecha e sobra apenas o silêncio do quarto.
A química entre ela e Karine Teles, que o público mais recente conhece como a Aldeíde do remake de Vale Tudo, funciona como motor da narrativa. Mesmo quando o roteiro opta por caminhos mais evidentes, como uma antagonista pouco ambígua ou a tensão sublinhada demais, a intensidade das duas atrizes segura o espectador.
Esse tom mais direto tem sua função. #SalveRosa não faz questão de ser sutil ao denunciar a exploração de crianças nas redes sociais. A crítica é direta, desconfortável, e talvez não seja um thriller perfeitamente amarrado, nem o tipo de filme para assistir e relaxar num domingo, mas é um espelho incômodo sobre como consumimos, curtimos e normalizamos a exposição infantil como espetáculo. E por essa reflexão, #SalveRosa cumpre seu papel.
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@tudosobreroteiro


















