A trajetória de Etelvina de Alencar, assassinada em 1901 e transformada em mito popular em Manaus, chega às telas em abril no documentário “Etelvina – A Ressignificação da Tragédia”. Dirigida por Cleinaldo Marinho, a obra resgata a memória da vítima para debater as raízes históricas do feminicídio local.

Foto: Arquivo Cleinaldo Marinho
O anúncio oficial da nova produção cinematográfica foi divulgado no último dia (13). Produzido pela CM ArteCultura & Produções, o filme parte da tradição oral para compreender o fenômeno em torno da jovem, morta pelo ex-namorado em um crime brutal que vitimou cinco pessoas na antiga Colônia Campos Sales. Hoje, a região abriga o bairro homônimo à “santa”, onde fiéis ainda peregrinam por até três túmulos distintos atribuídos a ela na cidade.
Para o diretor Cleinaldo Marinho, que tem dedicado sua carreira a recuperar histórias apagadas de mulheres amazônidas, “embora o termo feminicídio seja contemporâneo, a violência contra a mulher é uma realidade histórica. O caso da Etelvina reúne todos esses elementos”.
Ao longo de mais de um século, a memória de Etelvina sobreviveu longe dos registros oficiais, mantida viva pelas graças relatadas por devotos.
“Existe uma lacuna histórica na visibilidade dessas mulheres. Meu interesse é justamente trazer essas histórias para o centro, não apenas como personagens individuais, mas como expressões de contextos sociais, culturais e políticos mais amplos”, pontuou o diretor, ressaltando a importância de ampliar o repertório de memória da região.
Para humanizar a figura venerada, a narrativa documental conta com uma estrutura ficcional protagonizada pela atriz Rosana Neves, que dá vida a Etelvina de Alencar nas telas.
O elenco de apoio traz ainda Neuriza Figueira, Ádria Alves, Larissa Baraúna, Dimas Mendonça, Márcio Braz, Fagner Coelho, Denis Carvalho, Jean Melo, Ruan Viana, Elizeu Melo, Giovana Bessa, Miro Messa e Raquel Cunha.
O local exato da estreia, prevista para a primeira quinzena de abril, ainda é mantido em sigilo, mas a equipe adianta que o espaço dialoga intimamente com a trajetória da vítima. Segundo o diretor, a decisão logística foi cuidadosamente pensada para potencializar a experiência do espectador.
“A escolha do local de estreia tem um forte caráter simbólico, pois reinsere a obra no espaço onde parte da memória foi construída. Exibir o filme nesse contexto reforça a ideia de que essa não é apenas uma história do passado, mas algo que ainda está presente no cotidiano e na identidade da cidade”, concluiu.
Contemplado pelo edital da Lei Paulo Gustavo, o documentário consolida o compromisso de Marinho com o resgate da memória feminina.


















