Sonhos de Trem (título original Train Dreams), dirigido por Clint Bentley, é daqueles filmes que conquistam por falar ao pé do ouvido. Disponível na Netflix, o longa acompanha a trajetória de um trabalhador anônimo no interior dos Estados Unidos no começo do século XX. A história atravessa décadas de mudanças sociais, dores íntimas e o avanço inevitável da modernidade.

Cenas do filme ‘Sonhos de Trem’ (2025) – Imagem: Reprodução | Fotografia: Adolpho Veloso
No centro está Robert Grainier, vivido por Joel Edgerton, um homem comum que ajuda a construir ferrovias enquanto assiste, meio à margem, a um país que se transforma rápido demais. O roteiro é enxuto, interessado menos em acontecimentos grandiosos e mais em atmosferas e sensações.
Um dos pontos fortes do filme é a fotografia premiada de Adolpho Veloso. Não se trata só de belas imagens filmadas com luz natural, embora florestas enevoadas, cabanas isoladas e o horizonte sejam de encher os olhos, a construção visual optou uma textura que lembra fotografias antigas criando um tipo de memória afetiva.
O filme pode não agradar quem busca um drama mais tradicional, com conflitos explícitos e resolução clara, em compensação, entrega uma experiência imersiva para quem aceita entrar em um ritmo mais lento e contemplativo.
Sonhos de Trem é um filme que não implora por atenção e fala menos sobre locomotivas e mais sobre o que permanece depois que tudo passa: lembranças, ausências e a tentativa de seguir vivendo.
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@tudosobreroteiro


















