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Analfabetismo continua alarmante no Amazonas

Estado segue acima da média nacional e com desigualdades persistentes


O Amazonas continua com índices de alfabetização abaixo do ideal. A presença de quase 200 mil analfabetos e as diferenças internas reforçam que políticas públicas mais focadas e inclusivas são essenciais. O desalinhamento entre capital e interior, grupos raciais e faixas etárias indica que o futuro da alfabetização no Estado dependerá de investimentos contínuos e adaptações territoriais.

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Foto: Reprodução/ Freepik

A taxa de analfabetismo entre pessoas com 15 anos ou mais no Amazonas recuou para 4,9% em 2022, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um número abaixo da média nacional de 5,6% naquele ano, mas ainda alto diante dos desafios regionais.

Mesmo com a queda em relação a 2019 — quando era de 5,1% — o índice representa que cerca de 156 mil a 199 mil amazonenses não sabem ler nem escrever um bilhete simples. O Amazonas ocupa a 14ª posição entre os estados com maior taxa de analfabetismo, empatado com Rondônia e ligeiramente pior que a média nacional.

Desigualdades regionais

Fortes diferenças se mantêm entre o interior e a capital: em Manaus, a taxa é de apenas 2,98%, mas em 50 dos 62 municípios do AM (81%), o índice supera os 5%, média nacional. Municípios como *Itamarati (26,44%), **Envira (26,31%), e **Eirunepé (25,28%) exibem índices alarmantes.

Recortes por raça, gênero e idade

A desigualdade também se estende a raça e gênero: entre pessoas pretas ou pardas, a taxa de analfabetismo é quase o dobro da registrada entre brancos — 7,4% contra 3,4%, respectivamente, em 2022. Homens (5,9%) estão levemente atrás das mulheres (5,4%) em alfabetização. O problema é ainda mais grave entre os mais velhos: 16% dos idosos (60+) no Norte são analfabetos, contra 8,8% no Sudeste.

O Amazonas ainda marca presença no ranking das maiores favelas do Brasil com duas grandes comunidades: Cidade de Deus, Alfredo Nascimento, com 55.821 habitantes, e comunidade São Lucas, com 53.674, perdendo apenas para a Rocinha (RJ), com 72.021 moradores, Sol Nascente (DF), com 70.908 e Paraisópolis, com 58.527. Caso as populações de favelas do AM se juntassem e formassem um estado, este “Estado Favela” seria o 4º mais populoso do país. Os dados, da Central Única das Favelas do Amazonas (Cufa-AM), reforçam que os problemas no AM vão além do analfabetismo, e que têm relação proporcional à desigualdade social.

Educação pública

Para reduzir os índices de analfabetismo no Amazonas, é essencial fortalecer programas como o Amazonas + Alfabetizado e ampliar a adesão ao Programa Brasil Alfabetizado (PBA), especialmente nos municípios do interior com taxas elevadas, onde até 26?% da população adulta é analfabeta. Isso exige uma atuação mais proativa do governo estadual para mobilizar municípios, contratar alfabetizadores populares e disponibilizar turmas em associações comunitárias, igrejas e centros de convivência, diminuindo o deslocamento de alunos

Para além dos incentivos na educação, o Governo do AM deve investir em formação continuada de professores, adoção de tecnologias educacionais via plataformas de EaD e gamificação, e reconstrução curricular alinhada às realidades socioculturais — de modo a garantir que, quem chega à escola tarde, tenha oportunidade real de aprender. Sem esse compromisso firme e descentralizado, os avanços estatísticos recentes ainda não se traduzem em alfabetização verdadeira e igualitária no território amazonense.

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