Já virou tradição. Todo primeiro fim de semana de janeiro, faça chuva ou faça sol, a Liga dos Blocos de Rua do Rio de Janeiro transforma o Centro da cidade em uma grande festa democrática. Turistas e moradores se misturam, confraternizam e ensaiam o primeiro grito de carnaval, a menos de um mês da maior celebração popular do país.

Nei Lopes (Foto: Sérgio Bonelli)
No último dia 4 de janeiro, com praticamente um bloco por metro quadrado, batuques de diferentes formações tomaram as ruas. Samba, maracatu, rock e até Sandy & Junior ecoaram entre os prédios históricos, para o deleite de foliões que ocupam um território onde, em dias comuns, predominam ternos e gravatas a caminho do trabalho.
Na Rua do Mercado, a poucos metros da Bolsa de Valores, um endereço mantém acesa a chama do samba de raiz: o Alfarabi, ou simplesmente “Alfa”, como é carinhosamente chamado pelos frequentadores. Aberto inicialmente como sebo, em 2004, o espaço se tornou símbolo da reconstrução cultural e urbanística da zona portuária do Rio, funcionando como ponto de encontro para música, literatura e resistência cultural.
Foi ali que, em meio ao encontro dos blocos, aconteceu um momento especial: uma homenagem ao sambista Nei Lopes, ícone da cultura carioca. Pesquisador, escritor e referência incontornável quando o assunto é samba, Nei teve sua obra celebrada por músicos e público em um clima de rara comunhão.
Nem a chuva intermitente afastou quem cantava em coro e marcava o ritmo na palma da mão, celebrando clássicos como “Goiabada Cascão”, “Gostoso Veneno” e “Senhora Liberdade”. Um começo de ano à altura da cidade.
Haroldo Mourão é jornalista e correspondente do PortalMZM no RJ
haroldomourao.substack.com
@tudosobreroteiro


















