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Protestos esquentam o domingo na Avenida Paulista

Símbolo Neonazista pode ter sido o estopim do conflito que envolveu manifestantes pró e contra o Governo, e a polícia


Domingo, 31 de maio, Avenida Paulista. De um lado via-se manifestantes intitulados “pró-Democracia”, reunidos e incentivados por torcidas organizadas dos principais times do futebol paulista. Do outro, manifestantes pró-Governo Bolsonaro em mais um dia marcado para manifestações a nível nacional. Polícia Militar entre os dois grandes grupos de pessoas.

Parece cena de filme, mas, se você mora no Brasil, sabe que esse cenário quase nunca terminou bem. E não foi diferente em São Paulo.

Protestos deste domingo, 31, na Avenida Paulista (Foto: Reprodução/ TV Globo)

Por volta das 13h, manifestantes dos dois lados começaram a se enfrentar e, segundo informações que estão sendo apuradas pela PM, uma bandeira com símbolo Neonazista ostentada pelos bolsonaristas pode ter sido o estopim desse confronto.

Foi aí que a Polícia decidiu dispersar o lado formado pelas torcidas organizadas, em um embate que durou, pelo menos, até 16h. Cordões de isolamento e frente com escudos faziam com que os manifestantes recuassem rumo à Estação Paulista do Metrô, enquanto o movimento pró-Governo era mantido em frente ao Shopping Cidade São Paulo, sem poder avançar.

Restos de bombas de efeito moral e garrafas de vidro em frente ao MASP (Foto: Luciano Nogueira)

Restos de bombas de efeito moral e garrafas de vidro em frente ao MASP (Foto: Luciano Nogueira)

“[Os grupos] Começaram a se estranhar, eles estavam separados mas teve empurra-empurra. Foi quando os bolsonaristas recuaram até a [rua] Pamplona, mas aí a Polícia resolveu evacuar o pessoal que estava na frente do MASP”, contou um Blogueiro que estava no local desde cedo, e pediu para não ter o nome revelado. “Eles [a Polícia] avançaram com escudos, atiradores, muitas bombas de gás, e eu vi o momento que eles foram para cima dos manifestantes”, continua.

O Coronel Álvaro Camilo, secretário-executivo da Polícia Militar do Estado de São Paulo, contou uma outra versão do fato. “A Polícia estava ali entre os dois grupos antagônicos para manter a segurança de todos. Num determinado momento começaram a atirar pedras contra a Polícia Militar, que usou bombas de efeito moral”, disse em entrevista à GloboNews.

Claudio Menegatti, corretor de imóveis que estava no MASP desde o início da manifestação nos contou que “a manifestação formada pela Gaviões da Fiel estava muito violenta e começou a agredir alguns bolsonaristas” fazendo sinal de encontro usando as mãos. “E aí começou a ter bombas de gás lacrimogênio”, fala apontando para a Polícia, “e eles foram afastados”, mostrando o sentido da Avenida Paulista para o qual os manifestantes foram levados.

Policiais em cordão de isolamento em frente ao MASP (Foto: Luciano Nogueira)

“Eu vi ainda três agentes provocadores da Polícia serem descobertos e agredidos pelos antifas” conta o Blogueiro. “Foi quando eles devolveram os policiais [de volta] para a barreira policial e começaram a atirar de fato [contra os manifestantes]”, completa.

De acordo com nota da Polícia Militar de São Paulo, foi designado “mais de 200 policiais dos batalhões territoriais e especializados” para “fazer a segurança de participantes e garantir a ordem nos atos iniciados por volta das 11h30 deste domingo (31), na Avenida Paulista”.

Manifestante pró Governo é retirado pela Polícia após enfrentamento com oposição (FOTO: Luciano Nogueira/ Portal Mazé Mourão)

Cordão de isolamento que dividia os grupos de manifestantes, na Avenida Paulista (Foto: Luciano Nogueira)

Mas se não é do Brasil, que bandeira é essa?

Derivado de símbolos da mitologia grega, como mostra fotos exclusivas do Portal da Mazé no lado pró-Governo das manifestações, o tridente presente na bandeira rubro-negra passou a ser usado pelos habitantes da Ucrânia ainda na Idade Média e é o brasão oficial do Estado desde época do Príncipe Volodymyr, no ano 988.

A associação da bandeira com grupos de extrema-direita ficou clara a partir da Segunda Guerra, quando virou símbolo do Exército Insurgente da Ucrânia, em 1941. Esse grupo foi aliado à Alemanha nazista até a invasão da Ucrânia por tropas nazistas, em 1943.

Manifestantes pró-Governo na Avanida Paulista, neste domingo (Foto: Ettore Chierguini, Estadão Conteudo)

Em carta enviada pela Embaixada da Ucrânia no Brasil à Revista Veja, explica-se que a bandeira simboliza “a nossa terra e o sangue de nossos heróis derramado por Liberdade, Independência e Soberania da Ucrânia” e que “tal interpretação [de associação ao Nazismo] é manipulação predileta da propaganda russa (soviética) que continua a semear inverdades, ódio, xenofobia e antissemitismo para enfraquecer a democracia nos nossos países”.

De acordo com o Coronel Camilo, em entrevista ao GLOBO as pessoas dos dois lados que estiveram envolvidos nesse conflito foram retiradas do local por intervenção da polícia, mas não houve prisão. O grupo a favor de Bolsonaro ainda teria recuado diante do reforço policial.

“Quando chegou a primeira informação disseram que eles também estavam com bandeiras [que fazem referência ao nazismo]. Isso eu não consegui confirmar. Confirmei que essas pessoas foram lá, teve provocação e, além de bate-boca, essas pessoas se envolveram em agressões físicas” disse o Coronel na entrevista. “Se forem identificadas pessoas com bandeira neonazistas, como foi falado, pessoas atentando contra a democracia, os responsáveis vão responder por isso” finaliza.

Bandeiras ucranianas em carro de som durante manifestação pró-Governo (Foto: Luciano Nogueira)

Bandeiras ucranianas em carro de som durante manifestação pró-Governo (FOTO: Luciano Nogueira/ Portal Mazé Mourão)

O que constatei, é que as bandeiras de referências ucranianas continuaram ostentadas no carro de som que guiava o movimento pró-Governo, ao mesmo tempo que líderes gritavam palavras de ordem contra as instituições públicas e o Supremo Tribunal Federal.

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