No lugar das cores, do brilho e da alegria de junho, Parintins inicia o mês mais festivo do ano em silêncio, com cautela e esperança de dias melhores. A capital nacional do boi-bumbá, pelo segundo ano consecutivo, não realizará o seu tradicional festival folclórico, em virtude da pandemia de covid-19. Do lado azul dessa disputa, o povo do Boi Caprichoso enfrenta outro percalço, a maior enchente já registrada na história, com ruas e casas submersas pelas águas do Rio Amazonas.

(Foto: Yuri Pinheiro, Pedro Coelho e Efraim Rocha)

(Foto: Yuri Pinheiro, Pedro Coelho e Efraim Rocha)
Os torcedores do boi negro da cidade são os mais atingidos pelo fenômeno anual da subida das águas. Nos bairros tradicionais, que formam o reduto azul e branco, como Francesa e Palmares, milhares de moradores têm suas residências e comércios invadidos pelas águas. O diretor comercial do Boi Caprichoso, Leandro Carvalho, possui um empreendimento que foi tomado pela enchente.
O vice-presidente do bumbá, Karu Carvalho, relembra a infância na Lagoa da Francesa, que atualmente transborda em uma das principais vias de Parintins, a Avenida Amazonas. “Aqui era o quintal de casa, nosso lugar de encontro com os amigos, e foi aqui que enfrentamos diversas vezes a subida das águas. Neste pedaço de Parintins surgiu grandes artistas do nosso festival”, comenta.
O presidente do Boi Caprichoso, Jender Lobato, reforça que o povo azul de Parintins é sempre o mais afetado pela enchente. “O boi contrário fala que eles são os mais prejudicados, mas a gente sabe que independente da subida do rio ser grande ou não, somos nós aqui, nossas famílias que sentem mais o impacto desse fenômeno. Só no Beco Submarino, na Francesa, são dezenas de famílias que passam pelo menos dois meses com seus lares submersos”, destaca.


















