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Família confirma morte de Zezinho Corrêa após 33 dias de luta contra Covid-19

Cantor estava internado em um hospital particular de Manaus, após testar positivo para a Covid-19


Zezinho Corrêa foi internado com Covid-19 no dia 5 de janeiro, após sentir febres e dores no corpo no dia anterior. Na unidade de saúde, ele recebeu medicação e fez fisioterapia pulmonar. No dia 7, foi transferido para um leito de UTI de um hospital particular de Manaus, para dar continuidade ao tratamento.

(Foto: Divulgação)

Após complicações em decorrência do coronavírus, Zezinho não resistiu e na manhã deste sábado, família e assessoria confirmaram o falecimento do canto, que cantor deixa família, uma legião de fãs e um legado.

(Foto: Divulgação)

O cantor fez sucesso na Europa e Brasil nos anos 90, com o hit “Tic Tic Tac”. No dia 28 de dezembro, o cantor participou do lançamento do livro em homenagem à sua carreira. A solenidade ocorreu no Centro Cultural Palácio Rio Negro. Atualmente, ele trabalhava como assessor de projetos sociais no Sesc Amazonas.

O prefácio do livro foi assinado pela editora do Portal Masé Moura, leia na íntegra:

BATE FORTE O TAMBOR – Por Mazé Mourão

Na década de 1980, Manaus ainda vivia um tempo de balneários particulares e públicos. Os primeiros eram lugares aprazíveis, onde as famílias se reuniam nos finais de semana. Nos segundos, os públicos, eram, ainda, da época áurea do Parque 10. E tornou-se hábito, em fim de domingo, os manauenses assistirem, para abrir a semana, uma música, ao vivo, no palco do ‘banho’ mais frequentado da cidade. Uma apresentação era a mais esperada do show. Quando surgia ele, com cabelos encaracolados batendo nos ombros, uma agilidade incrível, um sorriso maravilhoso e uma voz, ah, uma voz deliciosa, potente inconfundível, a plateia vinha abaixo, gritando: “Zezinho, Zezinho, Zezinho”. Essa é a primeira e deliciosa lembrança que tenho desse cantor emblemático, oriundo de Carauari, Amazonas, pronto para ganhar o mundo.

Na década de 1990, estava passeando pelas ruas parisienses, quando ouvi um som conhecido. Vinha de uma loja de discos e dos recém-chegados CDs. “Bate forte o tambor…”, tocava! Não tive dúvida, entrei no estabelecimento e, sem falar absolutamente nada da língua, fiz-me entender que aquela voz era de um brasileiro, amazonense. Utilizei a mímica da Floresta Amazônica. Todos os vendedores sabiam quem era Zezinho Correa. Rumei para o hotel, pois ia receber meu filho Marcelo Gomes, que estava na França para um ano letivo de balé. E entre a ansiedade de contar o desconhecido da escola, professores e colegas de classe, ele comentou: “os garotos franceses cantaram para mim a música: eu quero é tic, tic, tic, tic, tac”, dançando da mesma maneira do Zezinho Correa. Como previsto, em tempos de Clube Municipal e Parque 10, Zezinho havia conquistado o mundo.

Quando soube que o jornalista Fabrício Nunes estava biografando esse nosso ilustre amazonense, achei uma justa e feliz homenagem que se pode receber em vida. E com uma pesquisa minuciosa, o escritor apresenta porque Zezinho é festejado nos quatro cantos do planeta. O amor pela família, em especial com a mãe, dona Isaura. Tive oportunidade de ver o cuidado com ela na sua deliciosa casa. A sua ética com os compromissos, a responsabilidade com o grupo musical Carrapicho, que, como ele mesmo diz: “uma erva daninha que gruda e não desgruda”; em manter o corpo saudável e a voz, sim a voz e o timbre, os mesmos dos tempos que cantava nas festas manauaras.

A formação teatral, passando pela UniRio, no Rio de Janeiro e pelo Teatro Experimental do Sesc (TESC) deu-lhe, além de aflorar o talento, uma postura corporal, técnica que o cantor, e também ator, usa até hoje no palco. Frequentador de programas nacionais e internacionais de televisão, Zezinho é ovacionado por cantores brasileiros, por colegas de trabalho. Portanto, delicie-se com esta obra biográfica que Fabrício Nunes escreveu de maneira precisa, com conteúdo, porque o nosso artista amazonense merece todos os tic-tic-tacs e todos os tambores batendo forte em forma de aplausos para reverenciar Zezinho Correa.

(Foto: Divulgação)

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