O ano de 2025 consolidou-se no Amazonas como um período de transição turbulenta, onde o gigantismo de eventos culturais contrastou com a fragilidade da infraestrutura básica e crises de governança. Marcado por uma polarização política acirrada e por desafios climáticos severos, o estado vivenciou meses de intensa movimentação policial, decisões judiciais históricas e a resiliência de sua população diante de problemas crônicos de ordenamento urbano.

(Arte: Patrick Jr)
Janeiro começou com a capital abalada por uma tragédia no bairro Redenção, onde um deslizamento de terra provocado por fortes chuvas destruiu três casas e resultou na morte de Jeferson Araújo Pereira e de sua filha Ester, de 8 anos [5]. No campo da segurança, o episódio conhecido como “Réveillon das drogas” viralizou ao mostrar um homem distribuindo entorpecentes no Prosamim do Morro da Liberdade [6]. Paralelamente, a gestão municipal enfrentou críticas pela incapacidade de conter a “Máfia dos Flanelinhas” no entorno da Arena da Amazônia.
Em Fevereiro, a infraestrutura urbana voltou a ser pauta quando um carro de aplicativo caiu em uma cratera na Cidade Nova, deixando passageira e motorista feridos. Na política, o tabuleiro para 2026 começou a ser montado com a confirmação da pré-candidatura da Professora Maria do Carmo ao governo estadual e do Capitão Alberto Neto ao Senado. No setor policial, o assassinato do jovem palestino Mohamad Manasrah, no Vieiralves, gerou grande comoção pública.
Março foi marcado pela morte da líder comunitária Sammya Costa Maciel, atingida por um deslizamento na comunidade Fazendinha 2 enquanto ajudava vizinhos. O mês também foi de crise política para a Prefeitura de Manaus com o escândalo “Caribegate”, após a divulgação de imagens da primeira-dama em festas de luxo no Caribe enquanto a cidade sofria com fortes chuvas e apagões. Em meio às críticas, a Câmara Municipal aprovou um empréstimo controverso de R$ 2,6 bilhões para a gestão municipal.
Em Abril, o arcebispo de Manaus, Dom Leonardo Steiner, participou no Vaticano do conclave que elegeu o Papa Leão XIV, após a morte do Papa Francisco. No Amazonas, a casa do vereador Rosinaldo Bual foi alvo de um roubo de R$ 130 mil, crime que teve como suspeito seu próprio afilhado. Além disso, a Polícia Federal revelou ramificações no estado de um esquema massivo de fraudes no INSS.
Maio registrou a morte do cantor e compositor Paulo Onça, ícone do carnaval, após meses internado por uma agressão em briga de trânsito. No cenário político-ambiental, a ministra Marina Silva abandonou uma audiência no Senado após confronto verbal com o senador Plínio Valério sobre a BR-319. Outro destaque foi a prisão de Sophia Livas, que se passava por médica e atendia crianças com doenças cardíacas.
Junho trouxe luto e festa. A morte da grávida Giovana Ribeiro da Silva e de seu bebê, após um acidente causado por um buraco na Avenida Djalma Batista, gerou revolta e a abertura de CPIs para investigar o programa “Asfalta Manaus”. No interior, o Boi Garantido consagrou-se campeão do 58º Festival Folclórico de Parintins com o tema “Boi do Povo, Boi do Povão”, em uma disputa decidida décimo a décimo. O mês também registrou o caso bizarro de um homem preso ao circular com o pai morto em uma cadeira de rodas para tentar um empréstimo bancário.
Em Julho, um levantamento revelou que Manaus abriga duas das cinco maiores favelas do Brasil: Cidade de Deus e Comunidade São Lucas. Na esfera policial, a morte do adolescente Fernando Vilaça, vítima de homofobia na zona Leste, causou forte repercussão. Politicamente, a imposição de tornozeleira eletrônica a Jair Bolsonaro gerou manifestações de apoio na capital amazonense.
Agosto foi marcado por um incêndio de grandes proporções que atingiu fábricas no Distrito Industrial II, mobilizando quase 150 bombeiros por mais de 20 horas. No município de Tonantins, a população linchou e carbonizou um homem suspeito de matar a companheira a facadas. Na política, o prefeito David Almeida surpreendeu ao anunciar uma aliança estratégica com o senador Omar Aziz.
Setembro trouxe o sucesso de público do festival “Sou Manaus Passo a Paço”, mas também a crítica direta do presidente Lula, que classificou o trânsito da cidade como “desgraçado” durante visita oficial. A Justiça do Amazonas anulou a sentença de Cleusimar e Ademar Cardoso, familiares de Djidja Cardoso, determinando o retorno do processo sobre tráfico de cetamina à primeira instância.
Em Outubro, Manaus foi novamente sufocada pela fumaça das queimadas, registrando uma das piores qualidades de ar do mundo e forçando a suspensão de aulas. Na política, o vereador Rosinaldo Bual foi preso suspeito de integrar uma organização criminosa envolvida em “rachadinha” e lavagem de dinheiro na Câmara Municipal. Na saúde, a morte da recém-nascida Aurora Beatriz gerou denúncias de negligência médica contra uma maternidade estadual [38].
Novembro foi um mês de perdas no esporte e na infraestrutura. O Amazonas FC foi rebaixado para a Série C do Campeonato Brasileiro após uma campanha irregular. No Largo de São Sebastião, a queda de um guindaste durante a montagem da árvore de Natal resultou na morte de um trabalhador, levando ao cancelamento da estrutura. O período também foi marcado pelo fim da aliança política entre David Almeida e Omar Aziz.
Ainda sobre perdas desastrosas, no final do mês de novembro, o pequeno Benício Xavier morreu após receber adrenalina intravenosa em um Hospital Particular de Manaus. O menino havia dado entrada no hospital com suspeita de laringite e sintomas leves, como tosse seca. A medica que prescreveu a substância e a técnica de enfermagem que aplicou o medicamento foram afastadas das funções, e a família da vítima pede justiça.
Dezembro encerrou o ano com a morte do jovem Lucas Henrique, cujo carro foi submerso em um igarapé durante fortes chuvas na zona Sul. O sistema de segurança registrou o feminicídio de Isabel Cristina Lopes, mãe da influenciadora Isabelly Aurora. Apesar do cenário de alta rejeição popular dos chefes do Executivo, a economia amazonense mostrou resiliência com o crescimento do PIB e projeções de vendas recordes no Natal.


















