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Alunos da rede estadual obtêm biodiesel a partir de óleo residual

O projeto recebeu fomento do Prodeb/Fapeam e contou com a participação de estudantes da educação básica


Em pesquisa apoiada pelo Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), foi possível a obtenção de biodiesel, a partir de óleo residual. Através de vários experimentos, os alunos da Escola Estadual Marechal Hermes, localizada no bairro Nova Esperança, zona oeste de Manaus, conseguiram encontrar uma boa concentração de álcool nos testes, sendo uma porcentagem maior de biodiesel, em relação à glicerina.

Foto: Acervo do coordenador da pesquisa, Anezio Raymundo Gomes de Oliveira Júnior

Amparado via Programa de Desenvolvimento e de Inovação para Educação Básica (Prodeb/Fapeam), edital n° 006/2021, a atividade despertou nos estudantes o interesse por pesquisa sustentável, aproximando a escola da comunidade com um trabalho socioambiental voltado para a preservação da Floresta Amazônica e dos Igarapés de Manaus.

O estudo intitulado “Obtenção de biodiesel através da utilização de biomassa residual e a biodiversidade em escolas do Estado do Amazonas” utilizou o óleo descartado, obtido através da doação de descarte da comunidade local, principalmente, de pequenos comerciantes.

A pesquisa foi dividida em seis fases: Coleta de Dados Iniciais, com a identificação de fontes de óleo; Preparação da Biomassa, com a filtro do óleo coletado para remover impurezas sólidas; Planejamento Experimental, com a seleção de reagentes, com base em critérios de eficiência e segurança; Realização das Reações; Separação e Purificação; e, por fim, Avaliação e Análise da qualidade do biodiesel produzido, com testes como viscosidade e ponto de fulgor.

Foto: Acervo do coordenador da pesquisa, Anezio Raymundo Gomes de Oliveira Júnior

Durante a pesquisa, os alunos aprenderam sobre o processo de transesterificação, utilizando duas rotas: a ácida e a alcalina. A primeira caracterizou-se como um processo quimicamente mais simples e menos corrosivo em comparação com os alcalinos, o que pode contribuir para a durabilidade do equipamento. O segundo promoveu uma reação mais rápida, sendo mais vantajoso em termos de eficiência de produção e menos sensível à presença de água.

O coordenador do projeto, professor e doutorando em engenharia química, Anezio Raymundo Gomes de Oliveira Júnior, da Secretaria de Estado de Educação e Desporto, ressaltou que esses projetos envolvem conhecimentos de diversas disciplinas, promovendo a interdisciplinaridade, uma vez que os alunos podem integrar conceitos de química, biologia, matemática e meio ambiente, proporcionando uma visão holística do conhecimento.

“Projetos práticos estimulam a curiosidade natural dos alunos, incentivando-os a questionar, explorar e experimentar. Isso contribui para a promoção da criatividade e do pensamento inovador”, afirmou.

Ele complementou que foram utilizadas várias matérias-orgânicas para utilização de aditivo, porém o ácido sulfúrico e o hidróxido de sódio e potássio foram os destaques, visto que apontaram melhores resultados.

“Em nível didático, para alunos do ensino básico, foi interessante saber que a calcinação do açaí e do tucumã adicionado ao óleo conseguiu obter um pouco mais de biodiesel no processo de transesterificação”, explicou.

O professor afirma ainda que, inicialmente, os alunos se envolveram no projeto de forma tímida, devido ao pouco contato com o laboratório, mas após treinamento e experimentos iniciais para maior segurança na prática, os alunos tiveram mais engajamento na pesquisa.

Foto: Acervo do coordenador da pesquisa, Anezio Raymundo Gomes de Oliveira Júnior

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