Algumas famílias transmitem patrimônio; outras, valores. No caso da família Trask, a especialidade é passar adiante ressentimentos. Disponível na Netflix, “A Leste do Éden” é uma minissérie adaptada do romance de John Steinbeck em sete episódios e acompanha duas gerações marcadas por rivalidade e rejeição.

Imagem: Netflix
O roteiro é de Zoe Kazan, neta de Elia Kazan, diretor da versão para o cinema de 1955 com James Dean. A novidade está na abordagem: a história foi ampliada e coloca Cathy Ames, interpretada por Florence Pugh, no centro do campo de batalha doméstico.
Cathy ganha um passado e motivações que tornam sua crueldade mais justificada. Pugh sustenta a tensão entre vulnerabilidade e capacidade de manipulação, diante dos irmãos Adam e Charles, vividos por Christopher Abbott e Mike Faist. Nessa atualização surge uma questão interessante para o espectador: explicar a violência de uma personagem também diminui o desconforto que ela provoca e a série segue por esse terreno delicado.
Mais do que atualizar um clássico, “A Leste do Éden” traz uma pergunta que continua rendendo boas histórias: até que ponto repetimos o passado da família e como podemos escolher outro futuro mesmo carregando marcas tão profundas?
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haroldomourao.substack.com
@tudosobreroteiro


















