Em setembro, o Ateliê 23 cruza o Oceano Atlântico pela primeira vez. A premiada companhia amazonense desembarca na Europa para a pré-estreia internacional de “Fértil em Terras Áridas”, espetáculo que terá apresentações em Aveiro e Coimbra, em Portugal, nos dias 25 de setembro e 1º de outubro.

Fotos: Eduardo Klinsmann
A primeira circulação internacional do grupo acontece na “Todos São Palco – Mostra de Teatro Além do Equador”, realizada pela companhia O Teatrão. Entre 17 de setembro e 17 de outubro, a programação percorre 13 cidades portuguesas e lança um olhar sobre a produção teatral latino-americana, aproximando Portugal de diferentes territórios e experiências artísticas.
A escolha de “Fértil em Terras Áridas” para marcar esse novo momento carrega uma coincidência simbólica com a trajetória do Ateliê 23. Em cena, cinco bufões retornam de uma turnê internacional e encontram a companhia da qual faziam parte dissolvida e o teatro onde trabalhavam demolido. Diante das ruínas, precisam descobrir como continuar criando.
Fora do palco, o espetáculo nasceu de uma investigação sobre os desafios de criar, produzir, circular e resistir artisticamente na Região Norte, distante dos principais centros econômicos e culturais do país. A estreia oficial em Manaus acontece em novembro, mês em que tradicionalmente o Ateliê 23 apresenta seus novos espetáculos.
“Essa é a primeira vez que o Ateliê 23 vai se apresentar fora do Brasil, é uma conquista para celebrar muito. Um grupo de Manaus poder atravessar o oceano após 13 anos de trabalho, ainda numa experiência muito particular e muito linda, que é a estreia internacional de ‘Fértil em Terras Áridas’”, afirma o diretor e fundador da companhia, Taciano Soares.
Fértil em Terras Áridas
Com direção de Taciano Soares e dramaturgia assinada por Francis Madson e Taciano Soares, “Fértil em Terras Áridas” utiliza a bufonaria, linguagem teatral marcada pelo grotesco, pelo deboche e pela sátira, para provocar reflexões sobre estruturas de poder, hipocrisia social e as contradições do nosso tempo.

Fotos: Eduardo Klinsmann
No palco, Carol Santa Ana, Eric Lima, Emily Danali, Francis Madson e Taciano Soares dão vida aos cinco bufões. Sem o espaço que sustentava o grupo, eles passam a criar de maneira independente a partir das próprias ruínas.
O espetáculo teve uma abertura de processo durante a Mostra de Teatro Águas de Manaus, em agosto. Em Portugal, o público terá contato com uma versão já próxima da estreia oficial em Manaus.
Para o diretor, há uma expectativa em apresentar pela primeira vez um trabalho antes da estreia oficial em casa.
“Estamos extremamente ansiosos, não só porque é uma viagem internacional, mas pelo privilégio de fazer parte de uma programação tão criteriosa, selecionada, e fazer a pré-estreia. É a primeira vez que a gente faz uma pré-estreia de um espetáculo”, comenta Taciano.


















