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Carne, ovos, hortaliças: mitos na cozinha colocam saúde em risco, alerta especialista

Além dos alimentos, esponjas de lavar louça e panos de prato podem se tornar importantes focos de contaminação quando não utilizados corretamente


Muitos dos hábitos que parecem sinônimos de higiene na cozinha podem, na prática, esconder riscos invisíveis à saúde e comprometer a segurança dos alimentos. Além da polêmica sobre lavar ou não a carne, outras dúvidas são comuns: o vinagre realmente elimina microrganismos em hortaliças? Lavar ovos ajuda a protegê-los ou facilita a contaminação? E o pano de prato sempre úmido, é aliado ou vilão?

Foto: Freepik

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 600 milhões de pessoas adoecem todos os anos no mundo em decorrência de doenças transmitidas por alimentos (DTA). O professor dos cursos de Gastronomia, Nutrição e Dietética do Centro de Ensino Técnico (Centec), Fernando Paiva, esclarece o que é mito e o que é verdade quando o assunto é higiene na cozinha.

Um dos principais equívocos, segundo o especialista, é lavar carnes, frangos ou qualquer tipo de proteína antes do preparo.

“Ao lavar a carne, há o risco de espalhar microrganismos pela pia, utensílios e superfícies, aumentando a contaminação cruzada. O cozimento adequado é o que realmente elimina bactérias como salmonela e campilobacter”, alerta.

Outro hábito comum, mas inadequado, é lavar ovos antes de armazená-los. “Não se deve lavar os ovos. O ideal é adquiri-los de fornecedores confiáveis, onde já passam por higienização adequada. A casca possui uma película protetora natural que impede a entrada de bactérias, e a lavagem pode remover essa proteção”, explica.

Higienização correta

No caso de frutas, verduras e legumes, o uso de vinagre e soluções caseiras não é suficiente para eliminar microrganismos.

“O vinagre pode até ajudar na limpeza superficial, mas não garante a desinfecção. O mais indicado é utilizar solução clorada, conforme orientação da Anvisa”, afirma Paiva.

O Ministério da Saúde recomenda iniciar o processo retirando partes deterioradas dos alimentos. Em seguida, deve-se lavar em água corrente — no caso de folhas, uma a uma.

Depois dessa etapa, a desinfecção deve ser feita com água sanitária própria para alimentos, sem perfume ou alvejante. A Anvisa orienta diluir o produto conforme a concentração indicada no rótulo — geralmente duas colheres de sopa para cada litro de água, no caso de soluções a 1% de hipoclorito de sódio. Após o tempo de imersão, os alimentos devem ser enxaguados em água potável.

Esponjas e panos

Utensílios aparentemente inofensivos também exigem atenção. Esponjas de lavar louça e panos de prato podem se tornar importantes focos de contaminação quando não utilizados corretamente.

“Esponjas devem ser trocadas com frequência, preferencialmente a cada cinco dias ou, no máximo, semanalmente. Além disso, é importante higienizá-las diariamente, com água fervente ou solução adequada”, orienta o professor.

Já os panos de prato merecem cuidado redobrado. “O ideal é evitar o uso para secar louças, principalmente em cozinhas com maior fluxo. Em casa, o mais seguro é lavar bem os utensílios e deixá-los secar naturalmente antes de guardar. Panos úmidos podem acumular microrganismos e favorecer a contaminação”, destaca.

Segundo o especialista, pequenas mudanças de hábito fazem diferença significativa na prevenção de doenças. “A segurança alimentar começa com atitudes simples no dia a dia. Saber como higienizar corretamente os alimentos e utensílios é fundamental para proteger a saúde de toda a família”, conclui.

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