Um surto suspeito de hantavírus no navio de cruzeiro MV Hondius resultou em três mortes e deixou 149 passageiros isolados próximo a Cabo Verde. A embarcação, que partiu da Argentina, teve seu desembarque negado pelas autoridades de saúde locais para evitar o risco de propagação do vírus.

Foto: reprodução/ AFP
As vítimas fatais incluem um passageiro holandês de 70 anos, que morreu a bordo no dia 11 de abril, e sua esposa de 69 anos, que faleceu semanas depois na África do Sul e atestou positivo para a doença. Uma terceira morte, de um cidadão alemão, ocorreu no dia 2 de maio e a causa ainda segue sob investigação.
Além dos óbitos, um passageiro britânico de 69 anos foi evacuado para Joanesburgo, onde permanece na UTI em estado grave, também diagnosticado com o vírus. No total, a Organização Mundial da Saúde (OMS) informou a existência de sete casos no navio, sendo dois confirmados em laboratório.
O cruzeiro polar operado pela empresa Oceanwide Expeditions cumpria roteiro de Ushuaia até a África Ocidental. A presidente do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) de Cabo Verde, Maria da Luz Lima, explicou que o porto de Praia não autorizou a atracação para “proteger a população cabo-verdiana”.
Diante do impasse logístico, a companhia estuda redirecionar os viajantes para Tenerife ou Las Palmas, nas Ilhas Canárias, enquanto uma equipe médica cabo-verdiana precisou ser enviada em viagens de barco para prestar socorro em alto mar.
A bordo da embarcação, o clima é de tensão e a tripulação determinou o isolamento físico máximo dos ocupantes em suas cabines. O influenciador de viagens Jake Rosmarin registrou a angústia dos presentes em vídeo, declarando que o ocorrido “é muito real para todos nós aqui. Não somos apenas manchetes, somos pessoas, com famílias, com pessoas nos esperando em casa”.
A OMS e especialistas em saúde continuam investigando a possibilidade de uma rara transmissão do hantavírus de pessoa para pessoa, uma vez que a enfermidade respiratória e hemorrágica é usualmente contraída apenas pelo contato com fezes e urina de roedores.
Apesar da gravidade das infecções no navio, o diretor regional da OMS para a Europa, Dr. Hans Henri P. Kluge, tentou tranquilizar a comunidade global afirmando que “esta doença não é facilmente transmitida entre humanos” e que “o risco para o público em geral permanece baixo”.


















