Perdi olfato e paladar no dia 15 de setembro. Pensei que seria mais assustador, mas eram tantos outros problemas no meu corpo com essa Covid-19 que, até hoje, isso passa em branco na minha cabeça. E veja só, no devaneio entre febres, saturação, pulmão ferrrado, dores, tosses e medos, percebi que sentia uma fome voraz que nem te conto. Entre aquele emaranhado de máscaras, remédios, acessos, injeções, fraldão e outros que-tais, reconhecia, de longe, as roldanas do carrinho da comida! Elas passaram a soar como Sons de Carrilhões, de Dilermando Reis! Não sentia gosto e nem cheiro, mas, amiga, raspava o prato! Um dia, com a voz tremelicando, perguntei da dra. Edinete: “é preocupante eu sentir fome?” Respondeu, feliz: “graças a Deus! Você tem que se alimentar muito bem!” Ah, colega, lá queria saber se ia ficar gorda, feia, cara de lua por causa dos corticoides, anticoagulantes, antibióticos, milhões de vitaminas! Queria era saúde! Gente, podia vir! Frango, feijão, sopa, arroz, o escambau!! A minha libido era e ainda está gustativa! Até porque também sou chegada… a comer bem, bem entendido. Traçava tudo com muito prazer! Da gelatina ao mingau de aveia. Essa história que tudo tem gosto de formiga assada e ou de pau velho, não colou comigo porque, como nunca comi nem um e nem outro, podia vir, que eu traçava e gostava, de boa. Tinha tanto pavor de fazerem traqueostomia ou comer com sonda pelo nariz, que, mana, virei para Deus, meu brother, e mandei na real: “Senhor, sou das que come até o caroço. Então, me ensina a fortalecer a minha alma, que no físico eu mando a fortaleza para dentro. O combinado deu certo!

Quarta-feira

Ato 4: Confessor

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